sexta-feira, 3 de abril de 2015

Capitulo XIV

Começa gentilmente retirando-lhe a roupa. Peça de tecido após peça, desfilando em queda livre até embater no chão frio, onde ficam a repousar. Umas por cima das outras, pela a ordem cronológica em que forram tiradas. Até que o seu corpo se encontre finalmente despido. Sua pele branca como a ceda, suave e macia. Volta a abraçar seus braços em volta do corpo agora despido. O elevando com extremo coitado. Um, dois passos e volta a descer. Primeiro são os pés que se encontram "pendurados". Eles mergulham por entre as nuvens de espuma, entrando na agua. O nível da mesma se eleva com a entrada de suas pernas. Seguido das mãos que agarram. Até que seu corpo se encontra quase todo submerso em agua. Seu pescoço e cabeça ficam apoiados numa almofada para para maximizar o conforto. Um dos seus braços fica evitando que ela escorre e mergulhe completamente para dentro de agua. O outro pega na esponja. A esponja com ajuda da mão percorre o corpo. Até que sem se aperceber algo acontece. Algo que demora apenas segundos. Seu corpo começa a deslizar. Não lentamente, algo rápido e feroz como um ataque que não tem tempo de reacção. Seus pés deslizam até ao fundo, seu tronco os segue como um comboio. Sua cabeça fica submersa, com os seus cabelos subindo como se fossem raízes de uma planta aquática. Perante aquele visão de terror mas ao mesmo tempo tão pacifica. O seu corpo não combate o que esta acontecer, não o consegue fazer. Mas em sua visão, ele aceita o que esta acontecer, por isso que se deixa ficar imóvel como uma pedra que naufraga num riacho. Ninguém a culparia, seria um acidente. Acidente acontecem todos os dias. Finalmente teriam paz, a paz que ambas merecem. Sua filha esta morta para todos os efeitos. Ali na sua banheira é apenas uma carcaça, um constante relembre que falhou como mãe. Que não consegui-o fazer o seu trabalho mais importante de qualquer pai, proteger o seu bem mais preciso. A sua amável, querida filha. Seria um fim pacifico para as duas. Seria...
O pequeno pato de borracha laranja. Um pequeno ser de plástico, sem vida ou algo que é incapaz de se afogar ou sentir dor. Ele seria a única testemunha do seu milagre, não crime. Não havia nenhum crime em quer o que era melhor para si. Não havia nenhum crime em por a si primeiro depois de tantos anos a por os outros. Primeiro o que as pessoas vizinhas e seus pais pensavam se o abandonasse. Depois o que seria da sua filha se cresce sem o seu pai. Apenas um vez na vida seria o seu prémio que os Deuses lhe prometeram. A única coisa entre ela e seu prémio é um pequeno pato de borracha laranja. Olhando em seu redor, descobrindo mais testemunhas. Testemunhas sem alma ou fala. Paredes que se erguem em seu redor, tenhas que abrigam seu corpo, escadas que facilitam seu movimento. Todo que sempre esteve ao seu lado durante o tempo todo. Testemunhas sem alma, incapazes de sentir amor. Mas cheias de memorias, sorrisos, juras de amor. Testemunhas que são um verdadeiro livro de memorias de alegrias que passou ao lado da sua filha. Os acontecimentos descritos em velocidade normal em sua cabeça atingem a velocidade da luz. Sãos uma tempestade de pensamentos que atinge seu coração durando apenas alguns segundos. O corpo submerso de sua filha fica marcado nos seus olhos e a sua decisão foi tomada. Seus braços mergulham a enorme velocidade resgatando o corpo submerso de volta a tona, onde ele pertence. O abraça fortemente, as lágrimas que caem de seus olhos se misturam com as gotas de agua que decorrem pelo corpo das duas. Tornando impossível as destingir, ou as numerar.
Salvas pelo uma pequeno pato de borracha. Mas a sua alma, a sua força esta a se perder com o passar dos dias. Dias que aos poucos a consumem, até que um dia não vai deixar nada para a recolher como a mulher que era no passado. Nos seguimos as areias do deserto até ao momento conhecido por nos. O momento que a noite volta a cair e viajamos novamente com ela para o outro lado.

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