Agora com o corpo complemente dentro se dirige
até a velha banheira branca com tinta descascada. Leva o seu tempo para se
sentar na beira. Agora que estende o seu braço em direção as duas torneiras.
Dedos entrelaçados nas torneiras de metal e roda a primeira vez. A agua começa
a cair lentamente na banheira. Primeiro uma gota solitária, que cai em queda
livre das alturas. Uma viagem até a sua morte que leva menos de dez segundos.
Assim que cai o som produzido por sua queda é solitário, quase que mudo. O seu corpo
se desfaz e corre até ao buraco mais próximo se perdendo de vista. Logo atrás
de seguem mais gotas, demasiadas para se conseguirem numerar. Um fio delas como
se fossem um cordão de prata dos mais finos caindo, criando constante ruído.
Criando um pequeno regato de aguar até ao buraco. Não demora muito para o
caudal do cano se encher por completo e o pequeno cordão de prata se transforma
numa espectacular cascata de agua. Caindo das alturas sem parar, até ao seu
encontro. Agora o seu outro braço parte da direção oposta em direção ao ponto
de encontro do pequeno rio que já se formou dentro da banheira. Pelo caminho,
na beira da banheira pega um pequeno objecto preto feito de borracha que segura
entre os seus dedos. A mão começa a sua descida até ao fundo onde suavemente
pousa o objecto no buraco. Agora a agua se encontra aprisionada sem ter para
onde fugir. Aos poucos o pequeno rio, começa a se transformar num lago. De um
lago num mar, até que alcança a magnitude de um pequeno Oceano. A agua cresce
em todas as direcções. A outra mão se põem debaixo da cascata interrompendo o
cair prefeito dela. Apesar de sentir a alta temperatura da agua em sua pele,
não reage. A deixa ficar por mais alguns segundos, como se gostasse de sentir a
aquela dor. A dor que por breves momentos a faz esquecer de todo o resto e se
concentrar apenas ali naquele momento que deve retirar a mão. Assim o faz, a
desviando para o lado, subindo em direção a outra tornei que abre ainda mais.
Agora são duas cascatas enchendo um Oceano de agua. Este ritual leva alguns
minutos. Antes de o terminar deita novamente a sua mão a agua. Mas desta vez
dentro da banheira . A agua se encontra num estado prefeito de temperatura.
Baloiçando o seu braço de frente para trás criando pequenas ondas no Oceano contido
pelo ferro da banheira. Para lhe dar mais um pouco de vida pega no pequeno pato
de borracha laranja. Inicialmente ele era amarelo como todos os outros, até que
um dia a sua filha encontrou uma lata de tinta azul na sua garagem e decidiu
lhe dar uma nova roupa. O pequeno pato se senta flutuando na agua calmamente
até que as ondas o atingem e o levam a fazer um pouco de "surf".
Usando aquele momento como um pequena fuga do que vem a seguir. Usa a mão para
criar um pequeno remoinho na agua. Criando um Oceano bravo, uma pequena
tempestade de ondas que se embatem contra o pequeno pato. Um pato que relembra
as embarcações viking desafiando as tempestades. Deixando o pato ao seu destino
durante a tempestade por ela criada se levanta. Em sua frente na prateleira que
se encontra na parede pega um grande frasco de gel de banho. Que se põem nas
pontas dos pés para o conseguir agarrar. Um dos pés escorrega no chão molhado,
efeito provocado pelo seu remoinho. Rapidamente larga o frasco de gel de banho
para deitar a mão a parede, evitando a sua queda. Mas em resultado nasce a
queda do gel de banho. Que cai violentamente dentro da agua. A sua queda faz
com que agua salte mais alto. Alto o suficiente para a molhar. E mais uma vez o
pequeno pato tem que enfrentar a turbulência da agua. O frasco desce
rapidamente até ao fundo como uma navio naufragado. Irritada com todo que
acabou de acontecer e todo que lhe tem acontecido na vida começa a gritar.
Cindo de joelhos no chão. Sem se aperceber que se esta a molhar ainda mais. Ela
entra num estado de fúria digno de um furação enquanto a sua frente a agua se
encontra tranquila. Irritada e sem quer perder mais tempo mergulha a mão dentro
da banheira resgatando o gel de banho. Agora resgatado o abre deixando o seu
conteúdo cair sobre a agua em baixo. Voltado a repetir o remoinho na agua
transformando a agua em espuma. Espuma que cobre toda a banheira fazendo o
pequeno pato desaparecer. Sai rapidamente pela porta de volta ao corredor.
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