terça-feira, 31 de março de 2015

Capitulo XI

São lágrimas do outro lado. lágrimas de solidão tão fortes que passam barreiras entre mundos. São lágrimas que nos arrancam de volta para o quarto exposto a luz solar que se faz sentir no meio da manha. A sombra portadora das lágrimas com suas vestes negras se desloca em direção a janela. Os vidros aquecidos pelo calor do outro lado vibram com o suave vento e madeira grita assim que ela lhe põem as mãos. Seus dedos entrelaçados na peça de metálica que serve para abrir a janela. O ouro do seu anel que conta historias de um passado longínquo que ela prefere esquecer. Sem nunca o poder fazer. Desde as fundação da casa que se escondem metros abaixo da terra, passando pelos tijolos mascarados com cimento até as vigas de madeira que seguram as velhas telhas. São todos um constante relembre do passado. Sendo o maior deles a sua filha fantasma que se encontra ali com ela no quarto. Um relembre de uma historia de amor clássica cheia de emoção e alegria que termina numa tragédia global. É então que seus pés dão um passo atrás, seu braço se estica e seus dedos agarrando forte puxam o metal. Uma reacção em cadeia que acaba por puxar lentamente a madeira da janela que beija arduamente a madeira onde se encontra pousada. Um pouco mais de força e se a troca de afectos entre as duas termina. A janela finalmente se encontra aberta deixando entrar todo o esplendor que um deserto tem para oferecer. Para evitar que um grande numero de areias invadam o quarto, puxa uma cortina laranja. O som dela a correr pelo ferro que a aprisionam são capazes de penetrar a mais das profundas almas. Agora com auxilio do calor da estrela mãe abandona o quarto em direção ao corredor. Um pequeno corredor com chão de madeira empoeirado. Os seus passos ficam marcados no chão. Um se fossem um trilho de migalhas para que ela não se perde-se. Cerca de dez ou quinze passos depois chega ao seu destino fechado por mais uma porta de madeira envelhecida. Esta sem fechadura, dança a vontade do vento que se pode sentir pelo corredor. É uma dança triste e solitária, que apenas consiste em dois passos repetidos infinitas vezes até que alguém lhe alguém lhe ponha um fim temporário. Esse final temporário chega na forma de um dos seus pés que se encosta a ela. Agora temporariamente parada é empurrada para trás como indefesa, sem meios para se proteger. O choque inevitável contra a parede de cimento não demora a surgir. O embate faz com que ela grita alto. Um grito que eco-a por entre todos os cantos da casa. Os vizinhos provavelmente o ouvirão se no momento os houvesse como os houve quando ainda viviam no barreiro antigo. O som rapidamente se perde na atmosfera. Agora com um pé atrás do outro ela entra lentamente pisando o azulejo azul da casa de banho. Alguns deles estão partidos deixando o cimento exposto, outros estão rachados. São poucos os que não tem historias para contar, se um dia conseguirem falar.  

segunda-feira, 30 de março de 2015

Capitulo X

Os minutos passam e com ele passa a maior parte da magica corrida até a cartola do Peixe-Esqueleto. As paisagens pelos dois corridas são iguais as anteriores apenas mudando os padrões de cor. O que nos leva a acompanhar os ponteiros do relógio até perto do fim da corrida. É neste momento que ela se encontra prestes para acabar. Ao fundo de uma dos vales se encontra novamente uma porta. Talvez estejam num plano circular e voltassem ao mesmo local de partida ou é apenas uma porta com as mesmas características da anterior. Mas assim que ele a vê sabe que chegou a hora de acabar com a corrida magica. Por isso começa a fazer uso das suas barbatanas que usa como se fossem asas. Fazendo movimentos como se estive a nadar.  Ouvindo o som dos seus ossos se movendo rapidamente e criando um ciclo de vento. Cada vez ganha mais velocidade. O que não demora muito a conseguir alcançar a menina. Pouco mais falta para alcançar a cartola, mas ainda existe o problema que conseguirem chegar novamente ao solo, mas isso fica para umas linhas a frente, agora acompanhados a espectacular corrida.
- Anda, estamos quase a o apanhar. Tens que dar aos braços e as pernas como se estivesse a nadar para conseguir o alcançar.
Esse é o recado que o Peixe-Esqueleto deixa a menina assim que passa ao lado dela. A sua velocidade e seus ventos criados pelas suas habilitadas de "nadar" nos céus fazem que o cabelo da menina entre numa dança furiosa que tapa os seus olhos. Não se lembrando que precisava dos molhos das flores que tinha presos entre suas mãos os larga para retirar o cabelo da frente de seus olhos. Assim que os dedos se abrem lentamente, as flores começam a se elevar mais alto. Fogem por entre seus dedos como se fossem feitas de fumo. Agora perdendo altitude a menina entra em pânico. Lágrimas começam as descer pelo seu rosto, seus gritos de medo se podem ouvir ao longe. A descida é moderada devido ao ainda grande numero de flores de ar quente que ela possui em seu vestido. Pouco a pouco chega até ao solo onde pousa em cima de mais flores. Uma aterragem suave e sem problemas que logo troca as lágrimas e gritos por sorrisos e saltos de alegria de quem quer repetir novamente o feito. Não muito longe dali encontra-se o Peixe-Esqueleto agora quase alcançando a sua majestosa cartola. Um grande imporão com suas barbatanas. Tão grande que o impacto criado entre suas barbatanas batendo em seu corpo criam um pequeno som digno de uma tempestade de Inverno. Sua boca vai a frente aberta como a de um tubarão. O vento entra por ela e volta a sair por entre seu corpo oco coberto de flores de ar quente. Em questão de segundo a boca do peixe se encontra ao alcance da sua cartola. A fecha ferozmente para se certificar que ele não volta a fugir. Agora com a cartola de volta na sua posse começa a retirar as flores de ar quente de seus bolsos, e de seu corpo. Ao contraio da menina ele tira elas todas até ficar completamente vazio. A sua queda é muito mais feroz. Mas não chora nem grita, apenas sorri por entre os dentes para não deixar cair a sua cartola. O seu corpo cai em queda livre com o vento passando por seu corpo até que finalmente alcança o solo. Caindo em cima das flores que se começam a elevar lentamente. Após se levantar tira a cartola da boca e a posiciona no seu devido local. A seguir com suas barbatanas dá uma pequena confirmação para se certificar que não partiu, ou perdeu algo dos seus numerosos ossos.
Agora que a corrida terminou com os dois no solo. Eles se voltam a encontrar em frente de uma porta. Ansioso por que a menina abra a porta o Peixe-Esqueleto volta a sugerir que saiam dali. Que partam a descoberta de um novo mundo. Eles são tantos e imagináveis que podem passar as suas vidas a viajar, dês de que ela esteja disposta a fazer o pagamento necessário.
- Vamos, vamos descobrir o próximo. - Diz-lhe ele enquanto dá pulos de alegria que nem uma criança. Vamos nos divertir ainda mais no próximo. Apenas tens que me dar a cor dos teus olhos e podes abrir a porta.

A menina entusiasmada com as palavras e acções do Peixe-Esqueleto pega na chave que relembra um caule e roda a primeira vez a chave. O som reproduzido relembra choros de tristeza. Roda mais uma vez. São choros certamente que são. Roda a terceira vez e a porta se abre perante eles. 

domingo, 29 de março de 2015

Capitulo IX

Os passos dos dois passam como ponteiros num relógio. Atrás de si um rasto de flores de ar quente a voar. E lá no fundo uma nova porta. Uma nova dimensão para explorar. Seguindo o Peixe-Esqueleto a menina se dirige até a porta. Uma porta elegante feita de pétalas das mais belas flores. A chave relembra um caule verde e a fechadura um girassol amarelo.
- Anda, temos mais mundos para explorar. - Diz o Peixe-Esqueleto.
A menina ainda usa a sua voz para responder. Ainda não encontrou o seu tom prefeito, enquanto isso o seu companheiro fala como um violino de cordas angelicais. Suas palavras são quase como melodias classificas que capazes de encantar as mais terríveis criaturas. E conquistar os mais nobres corações. Ela responde em seus pensamentos.
- Mas ainda agora aqui chegamos. Os vales antedessem-se para alem da nossa visão. Temos que ir já?
A menina se encontra encantada com todo o que a rodeia. Nunca imaginou ser possível existir tamanhos encantos, nem nas historias de sua avo existia tanta magia. Quer permanecer ali o máximo possível. Quer explorar os vales, quer voar junto das flores. Desejos que se encontram todos em seus pensamentos. Pensamentos que o Peixe-Esqueleto consegue ler e compreender melhor do que ninguém.
- Claro que podemos ficar mais um bocado minha pequena. Mas lembra-te que aqui todo tem um preço. Se estiveres disposta a pagar o preço todo é possível.

Como sempre a sua voz é um encanto para os ouvidos da menina. Ela não precisa de perguntar o preço que tem a pagar. Ele sabe que seja qual for ela o pagara. Ele sabe, pois ele já fez o mesmo. Se abaixa para ficar no mesmo tamanho que ela. Enquanto desce se ouve o som dos seus osso batendo uns contra os outros criando uma espécie de instrumentos musical. Aquele sons por eles reproduzidos despertam sorrisos de alegria na menina. Assim que ele se apercebe de tal coisa não hesita em usar suas barbatanas contra seus ossos, os tocando como se fossem um se fossem um xilofone. Uma melodia criada no momento. Algo que cria um laço entre os dois. Algo que é genuíno e puro. Magico e ao mesmo tempo o nascimento de uma amizade não pretendida por uma das partes. Por entre a camisa do Peixe-Esqueleto se pode ver a sua metade do coração a bater mais rápido que um relâmpago. E dos seus olhos algo sai como se fossem lágrimas. São lágrimas de areia que caiem de seus olhos negros. Agora os dois a mesma altura. As duas faces uma a frente da outra a menina tem uma visão completa do rosto do Peixe-Esqueleto que assim que o vê a chorar, levanta lentamente sua mão fazendo meia dúzia de flores de ar quente voar. A leva suavemente até ao rosto de ossos, acariciando-o pela primeira vez. O calor da sua mão contra o frio esqueleto do peixe. Aquecendo o seu rosto, limpando as suas lágrimas com a genuinidade que apenas as crianças possuem. Ali mesmo entre os laços encarnados da amizade ele lhe diz o preço. Um abraço. Um simples abraço é todo que ela tem que pagar para continuar entre os vales e flores de ar quente. Sem hesitar ela abre os seus braços, encosta a sua pele contra os seus ossos e os volta a fechar em redor do Peixe-Esqueleto. O abraçando tão forte que se ouvem seus ossos se juntarem uns aos outros, como se ele estive a perder volume. os dois rosto se cruzam e se encontram. Os movimentos dos dois gera vento e sismo corporal o que faz a cartola do Peixe-Esqueleto cair sobre as flores de ar quente. Assim que ele cai suavemente sobre as frágeis flores elas começam a se elevar em direção aos céus. Os dois colhem o máximo de flores possíveis para se juntarem na viagem atrás da carola. A menina as consegue primeiro, o seu peso mais leve lhe da vantagem enquanto o Peixe-Esqueleto com o desespero de perder os seus dois tesouros começa a encher os bolsos. Não obtendo o resultado pretendido começa as meter por entre os seus ossos. Não tarda muito em estar coberto de flores de todas as cores. Agora o Peixe-Esqueleto mais belo e encantador do que nunca com todas as cores imagináveis em seu corpo. Começa a se elevar no alto se juntando a corrida para apagar a sua cartola.

sábado, 28 de março de 2015

Capitulo VIII

Passamos os ponteiros do relógio para uma cena já nossa conhecida. Deixamos o dia correr em nossa imaginação, deixando nos voltar a envolver pela a escuridão da noite que se faz abater novamente sobre as palavras escritas. Com a escuridão viajamos novamente para o outro lado onde esperávamos encontrar a sala empoeirada com a jovem donzela e o misterioso esqueleto de peixe-esqueleto que responde pelo nome de Peixe-Esqueleto. Mas deslumbramos uma paisagem diferente. A porta foi aberta e com ela o cenário sombrio ficou para trás. Agora flores de todas as cores crescem por colinas a perder de vista. No meio das flores duas falhas, uma pequena e outro maior. Deitados sobre as flores esta ela agora com o corpo de uma criança de seis anos cheia de inocência. E ao seu lado o Peixe-Esqueleto. Agora por entre seus olhos, espinhas, camisa e casaco deslumbramos algo novo. Algo encarnado, que bate suavemente no seu peito. É metade do coração que ela pagou para abrir a porta. Agora lhe pertence. No seu rosto podemos ver um novo sorriso. Um sorriso capaz de transmitir alegria e vontade de correr pelas colinas. Com suas barbatanas ágeis como se fossem braços arranca uma flor e a lança ao ar. Como por magia a flor começa a voar lentamente. Subindo, subindo como um balão de ar quente até aos céus.
- São flores de ar quente - Lhe diz ele, agora com uma voz mais simpática e alegre do que no seu ultimo encontro. - Queres ver algo incrivelmente magico?
A menina abana com a cabeça que sim. Seus cabelos agora ruivos dançam sobre o seu rosto cobrindo como cortinas os seus olhos castanhos de terra fresca numa manha de Outono. Seus caracóis relembram as ondas de um Oceano calmo, onde se pode navegar tranquilamente, até ao cair do manto estrelar.
- Sim? Então anda comigo. Vamos pegar o máximo de flores que conseguirmos. O máximo de cores diferente que encontramos.
Assim os dois partem numa corrida pelos vales, deixando um rasto de flores a voar atrás de si. Cada toque de seus pés, cada flor que levanta voo como um corpo celeste. As suas mãos e barbatanas agarram o máximo de flores que conseguem enquanto correm como loucos. Ao fim de poucos minutos as flores conhecidas são tantas que seus rostos deixam de ser visíveis. No Peixe-Esqueleto só se consegue ver a sua alta cartola, enquanto a menina desapareceu entre as flores de tantas cores, quantas do arco-íris. Não demorando muito mais os pés pequenos da menina começam a se levitar lentamente do chão sem que ela dá conta. Encantada com o momento de alegria que enche sua metade de coração e sua alma. Alegria como não se lembra de sentir. Centímetro, após centímetro, até levita mais alto do que as flores. Ai que o Peixe-Esqueleto repara e se começa a rir. Um sorriso genuíno vindo do seu novo bocado de humanidade. Pousa gentilmente as suas flores de ar quente, as mandando estares quietas. Como se entendem suas palavras as flores permanecem presas ao solo sem se elevar nos céus como as suas vizinhas. Lança suas barbatanas e agarra a menina.
- Pronto já temos flores que cheguem. Não te queremos a voar por ai sozinha. - Dizendo ele sempre sorridente. - Agora vós também estais quietas até que vós mandem voar.

Mais uma vez as flores obedecem aos seus comandos e não elevam a menina no ar. Agora juntos erguem suas mãos no ar com todas as flores prontas para voar. Assim que recebem o comando do Peixe-Esqueleto começam a se elevar lentamente, todas juntas. Aos poucos começam a se separar umas das outras. Consegue se sentir uma pequena brisa provocada pelo seus voos. Se pode quase ouvir elas conversando entre si. Se juntam numa dança magica de cores nos céus. Algo tão belo e magico, que não cabe em meras palavras. Podemos imaginar como se fosse uma dança de milhares de estrelas de cores diferentes no manto negro da noite. Dançam, até se juntarem aos poucos. Ganhando formas, cada vez mais se juntando. Assim que a dança termina o céu ficou ilustrado com a imagem da menina com o Peixe-Esqueleto, os dois juntos sobre um arco-íris. Um retrato feito em flores de ar quente que sobrevoa as suas cabeças. Os dois ficam sorrindo, até que continuam a sua viagem pelos vales das flores. 

sexta-feira, 27 de março de 2015

Capitulo VII

Entra no quarto como se estive a entrar num território desconhecido. Sem nenhuma expressão facial. Quase como se não tivesse sentimentos. Mas se olhar-mos por baixo da mascara de pele encontramos uma escuridão que se propaga por todos os cantos de seu corpo. Uma tempestade com ventos fortes e chuvas torrenciais que alagam toda a paisagem que encontram. No seu lugar deixam buracos negros sem fundo, onde se escondem segredos. Segredos que nunca podem ver a luz do dia. Se alguma vez o fizerem será o fim dela. Poucos passos são necessários até alcançar finamente a cama onde a sua filha descansa quase que eternamente. Pousa uma ultima vez o recipiente na mesa de cabeceira e se senta lentamente na cama. Com o seu peso, apesar que mínimo seja faz com que o colchão ceda em sua direção fazendo o corpo lá deitado se mover. Por aqueles breves segundos pode-se ver cor regressar aos seus olhos. Apenas um rápido reflexo, uma esperança que nega ser engolida pela a escuridão que a habita. Com seus braços tentar levanta-la um pouco mais. Com muito esforço físico e gemidos de dor pronunciados entre seus dentes cerrados, finalmente consegue erguer-la. Agora que meio deitada, meio sentada, relembrando uma boneca de porcelana.
Assim começa a alimentar. Com uma colher meio que cheia numa mão, na outra abrindo suavemente e lentamente sua boca. Aquele momento a remonta até a sua infância quando brincava com suas bonecas, as alimentados com comida faz de conta. Agora que cresceu, envelheceu, que conheceu a vida. Voltou a se tornar naquela criança alimentado as suas bonecas. Mas a alegria e curiosidade que sentia quando era pequena foi substituída por angustia e desejo. Desejo se odeia por sentir. Mas não seria todo mais fácil se a sua "boneca" parti-se. Quando era criança tinha imaginação suficiente para lhe dar vida as suas bonecas. Eram princesas, rainhas, algumas eram monstros das historias de sua mãe. Mas agora não tem mais imaginação para conseguir trazer vida a sua mais preciosa. Se recorda do dia em que ela nasceu, o dia em que ela herdou as suas bonecas, que agora se encontram sentadas na prateleira mais alto do quarto. Foi como na historia do Pinóquio. Tinha algo que não precisava de imaginação para viver. Algo capaz de aquecer o seu coração nas noites mais frias de Inverno agora extinto. Algo capaz de florescer flores na sua alma mesmo no Outono. Algo capaz de fazer magia, transformar lágrimas em sorrisos de pura alegria.
Algo que agora tem que voltar alimentar. Não com sorrisos como era no inicio, com lágrimas que caiem sobre a comida.
Os minutos passam por aquele momento. Ela volta a recuperar seu rosto sem expressão. Não gosta de chorar em frente dela. No fundo a esperança que ela ainda a consiga ver, ou compreender não a deixam sentir-se bem quando o faz.

A ultima colher meio que cheia de legumes em forma liquida voa pelo espaço entre as duas como uma pequenas estrela verde e prateada a caminho de um buraco negro onde entra e volta a sair vazia.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Capitulo VI

Se levanta caminhando, arrastando os velhos sapatos pelo chão. Como se seus pés fossem duas cobras a rastejar. Se dirige até ao escuro da despensa. Sem hesitar leva a sua mão para dentro. Aos poucos se perde de vista na escuridão que reina na dispensa. Um local frio e escuro como as noites de inverno devem ser. Passado alguns segundos a mão volta para a luz intacta. Carregando alguns legumes que outrora foram mais frescos. Volta a se arrastar, agora em direção do balcão de mármore. Sente-se os legumes caírem com descuido sobre a pedra. Como se estivem a ser condenados por um crime que não cometeram. Mas o juiz não quer saber, apenas quer castigar alguém pelo crime. Seus joelhos se dobram. Os ossos mostram sinais de cansaço. Gritam entre si, mas ninguém consegue ouvir os seus gritos por ajuda. O embater dos dedos contra madeira de um pequena porta que não tarda em se abrir. Mais uma vez a mão se aventura em território desconhecido Como se fosse um pequeno herói das historias que sua mãe lhe contava quando era pequena. Historias que mais tarde contou a sua filha. Historia que agora não habitam mais seus pensamentos. O pequeno herói voltar a sair intacto da sua missão. Desta vez com uma pequena panela de ferro. Apesar do seu tamanho reduzido o seu peso é extenso. O que leva ao auxilio da outra mão. Agora bem segura a levanta. Voando como um super-herói. Como aqueles dos quadradinhos que lhe as tias distantes lhe ofereceram num natal passado. Aquelas tias que todo mundo tem que nem sabiam que sua filha existia. Quanto mais que era uma rapariga e não um rapaz. Aqueles superes que são indescritíveis, que nada os consegue quebrar. Fábulas dos tempos modernos. Se ouve o som de dois titans em choque. Ferro contra ferro. Panela pousando no fogão. Um pouco de agua e os legumes se juntam lá dentro. Um fosforo acende-se. Indo rapidamente em direção a boca do fogão com medo de queimar seus dedos. O testo por cima aprisionando os legumes. Passado uns minutos se consegue ouvir a sua angustia sendo cozidos na agua a ferver. Sem que ninguém os consiga salvar. Não tarda muito para a cozinha se encher com o seu típico cheiro quase comestível. Até que o fogo do fogão se extingue. O testo sobe e o vapor aprisionado é libertado na atmosfera. Os legumes agora já cozinhados, mas ainda em estado solido são retirados para outro recipiente onde vão encontrar as laminas já pouco afiadas varinha. O que se segue relembra um batalha onde as tropas são esmagadas pelo o inimigo. Até que o resultado é um liquido de uma cor meio que verde.


Deixa a repousar. Aproveitando para sair pela primeira vez de hoje pela porta principal da casa. Primeiro o pé esquerdo, de seguida o pé direito ao encontro de um sol radiante. Mais um belo dia de Verão. Um verão eterno que dura sem parar. Olha para o céu relembrando os dias antigos a procura de nuvens. Uma esperança que nunca morre, assim como a que se encontra no andar por cima dela. Caminhando em direção a um banco de jardim. Deixando suas pegadas na areia. Quase como um fóssil do passado que anda a deixar o seu rosto no mundo futuro. O banco em ferro enferrujado pelo tempo. Se senta delicadamente nele. Como se fosse uma pessoa. Não o é. Mas é mais uma memoria que nega em deixar partir. Uma memoria de quando todo florescia, todo sorria. Uma memoria de tempos felizes. Poucos são os minutos ali passados. Saindo quase que a correr em direção a cozinha. Agora com o liquido meio que verde na mão volta a caminhar lentamente, desta vez em direção as escadas de madeira. Sem se poder apoiar sobe lentamente, com cuidado para não cair. Afinal os seus ossos gritam a cada passa que ela da. Degrau após degrau, subindo até alcançar o topo das escadas. Agora a frente da porta parada sem saber se entrar ou não. Sabe que tem que entrar, apenas se questiona se pode esperar mais um minuto ali relembrando as suas memorias que as mantém vivas. O tempo passa a ser medido pelos batimentos de seu coração, até que ganha coragem se entrar. Pousa delicadamente o recipiente no chão e bate a porta. Se esqueceu que não precisa mais de o fazer. Que ninguém lhe vai responder. Por momentos tinha voltado aos dias de gloria. Abre a porta e lá esta ela deitada no mesmo local onde a deixou a noite.Se levanta caminhando, arrastando os velhos sapatos pelo chão. Como se seus pés fossem duas cobras a rastejar. Se dirige até ao escuro da despensa. Sem hesitar leva a sua mão para dentro. Aos poucos se perde de vista na escuridão que reina na dispensa. Um local frio e escuro como as noites de inverno devem ser. Passado alguns segundos a mão volta para a luz intacta. Carregando alguns legumes que outrora foram mais frescos. Volta a se arrastar, agora em direção do balcão de mármore. Sente-se os legumes caírem com descuido sobre a pedra. Como se estivem a ser condenados por um crime que não cometeram. Mas o juiz não quer saber, apenas quer castigar alguém pelo crime. Seus joelhos se dobram. Os ossos mostram sinais de cansaço. Gritam entre si, mas ninguém consegue ouvir os seus gritos por ajuda. O embater dos dedos contra madeira de um pequena porta que não tarda em se abrir. Mais uma vez a mão se aventura em território desconhecido Como se fosse um pequeno herói das historias que sua mãe lhe contava quando era pequena. Historias que mais tarde contou a sua filha. Historia que agora não habitam mais seus pensamentos. O pequeno herói voltar a sair intacto da sua missão. Desta vez com uma pequena panela de ferro. Apesar do seu tamanho reduzido o seu peso é extenso. O que leva ao auxilio da outra mão. Agora bem segura a levanta. Voando como um super-herói. Como aqueles dos quadradinhos que lhe as tias distantes lhe ofereceram num natal passado. Aquelas tias que todo mundo tem que nem sabiam que sua filha existia. Quanto mais que era uma rapariga e não um rapaz. Aqueles superes que são indescritíveis, que nada os consegue quebrar. Fábulas dos tempos modernos. Se ouve o som de dois titans em choque. Ferro contra ferro. Panela pousando no fogão. Um pouco de agua e os legumes se juntam lá dentro. Um fosforo acende-se. Indo rapidamente em direção a boca do fogão com medo de queimar seus dedos. O testo por cima aprisionando os legumes. Passado uns minutos se consegue ouvir a sua angustia sendo cozidos na agua a ferver. Sem que ninguém os consiga salvar. Não tarda muito para a cozinha se encher com o seu típico cheiro quase comestível. Até que o fogo do fogão se extingue. O testo sobe e o vapor aprisionado é libertado na atmosfera. Os legumes agora já cozinhados, mas ainda em estado solido são retirados para outro recipiente onde vão encontrar as laminas já pouco afiadas varinha. O que se segue relembra um batalha onde as tropas são esmagadas pelo o inimigo. Até que o resultado é um liquido de uma cor meio que verde.

Deixa a repousar. Aproveitando para sair pela primeira vez de hoje pela porta principal da casa. Primeiro o pé esquerdo, de seguida o pé direito ao encontro de um sol radiante. Mais um belo dia de Verão. Um verão eterno que dura sem parar. Olha para o céu relembrando os dias antigos a procura de nuvens. Uma esperança que nunca morre, assim como a que se encontra no andar por cima dela. Caminhando em direção a um banco de jardim. Deixando suas pegadas na areia. Quase como um fóssil do passado que anda a deixar o seu rosto no mundo futuro. O banco em ferro enferrujado pelo tempo. Se senta delicadamente nele. Como se fosse uma pessoa. Não o é. Mas é mais uma memoria que nega em deixar partir. Uma memoria de quando todo florescia, todo sorria. Uma memoria de tempos felizes. Poucos são os minutos ali passados. Saindo quase que a correr em direção a cozinha. Agora com o liquido meio que verde na mão volta a caminhar lentamente, desta vez em direção as escadas de madeira. Sem se poder apoiar sobe lentamente, com cuidado para não cair. Afinal os seus ossos gritam a cada passa que ela da. Degrau após degrau, subindo até alcançar o topo das escadas. Agora a frente da porta parada sem saber se entrar ou não. Sabe que tem que entrar, apenas se questiona se pode esperar mais um minuto ali relembrando as suas memorias que as mantém vivas. O tempo passa a ser medido pelos batimentos de seu coração, até que ganha coragem se entrar. Pousa delicadamente o recipiente no chão e bate a porta. Se esqueceu que não precisa mais de o fazer. Que ninguém lhe vai responder. Por momentos tinha voltado aos dias de gloria. Abre a porta e lá esta ela deitada no mesmo local onde a deixou a noite. 

quarta-feira, 25 de março de 2015

Capitulo V

Do outro lado da janela se ouve as primeiras melodias dos canários do deserto. Pequenas aves de penas de areia e bicos encarnados. Pousados numa singular árvore que espalha seus ramos por metros em seu redor. Secos e sem vida verde, sobrevive apenas do que terra lhe oferece. Mais um dos milagres que a Mãe de todos oferece. Se descermos dos longos ramos pelo tronco oco, casa de um belo casal de Pica-Pau-esmeralda. Duas belas aves que partilham o seu pequeno almoço com suas crias de poucos dias de nascença. Mais um milagre que Ela no oferece. Descemos pelo tronco até chegar a areia onde as suas raízes se estendem por metros a procura de agua. Ai que podemos deslumbrar o andar de baixo da casa. Olhamos pela janela de madeira gasta pelo tempo e vidros a espera de quebrar. Mantidos únicos fita e cola. Um vidro novo custa o mesmo que o remédio de sua filha. Um vidro novo custa a vida a sua filha. Por isso para a mãe nem sequer é uma questão que lhe passa pelos seus pensamentos. Dentro da cozinha vemos a outrora elegante donzela, agora sem o seu sorrisos capaz de encantar qualquer homem ou mulher. Todos os dias a mesma hora a frente do fogão prepara o pequeno almoço para dois. Dois pratos postos na pequena mesa de madeira. Dois garfos. Duas facas e dois copos. Duas cadeiras, uma em cada ponta da mesa. No centro um prato maior cheio de panquecas e sumo de laranja. Laranja o seu fruto preferido. Doce e amargo ao mesmo tempo. Um pouco como a sua vida. Mas agora prefere limão. São apenas amargos assim como sua vida. Do fogão retira a frigideira com a ultima panqueca em formato de coração. A sua filha adora-as em formato de coração. Era capaz de as devorar em questão de segundos. Agora ficam a repousar sobre a mesa de manha até o outro dia. Ganhando pó, lembrando todo aquilo que ela perdeu.
O som da cadeira a ser arrastada pelo azulejo se espalha por todos os cantos da casa. Se senta e volta arrastar a cadeira para a frente. Um momento que outrora era composto por milhares de gargalhadas agora é um infinito silencio. Interrompido apenas pelo cravar do grafo na panqueca até que faz contacto com o barro cozinho do prato pintado em tons de verde. De seguida o som da faca cortando o vento, até que corta a panqueca contra o prato. O movimento do grafo subindo lentamente até sua boca. Não é motivado por fome, apenas pelo puro reflexo de sobrevivência . Agora se juntando a melodia o mascar dos dentes envolto no pedaço de farinha. Assim que a sua boca fica vazia, o que segue sai do fundo das suas cordas vocais. São como palavras. Mas não formadas o suficiente para se chamarem de tal forma. O reflexo de outros tempo de alegria. Ia chamar-la, para se juntar ao pequeno almoço. Agora em vez de palavras de chamamento saindo de seus lábios. Saem lágrimas de seus olhos, discorrendo por seu rosto. Caminhando lentamente que ao momento que se suicidam com o solto, caindo em cima do prato onde encontram o final da sua viagem. Assim se seguem os próximos minutos. Num rio de lágrimas derramadas. Uma mistura de lágrimas de saudades de tempos que se passaram com lágrimas de sofrimento dos tempos que se passam. Assim se passam os sessenta minutos no relógio que bate a cada segundo em seu pulso.

terça-feira, 24 de março de 2015

Capitulo IV

O Peixe-Esqueleto abre a sua boca e fala pela primeira vez. Sua voz soa como o trovão rasgando os céus. Como uma tempestade que lavra todo em seu caminho. Até que os ventos fortes e as chuvas torrenciais passam, as nuvens dispersam e o sol volta a brilhar alegremente com o canto da Mãe de todos se fazendo ouvir em todas as direcções.
-Peço desculpa por isso. - Diz o Peixe-Esqueleto. - A muito tempo que não uso a minha voz. As minhas cordas vocais estão empoeiradas como todo nesta sala.
Silencio é o que se segue. Sua boca não reproduz nenhum som em resposta. O peixe fala. É a única coisa que ela consegue pensar no momento. O pânico toma conta de suas acções, o que a leva agarrar mais forte a chave. O som dela girando na fechadura quebra o silencio da sala. Uma volta já esta, mais duas para o fim. A expressão no rosto do Peixe-Esqueleto é algo para alem da descrição de palavras. É algo que apenas seus olhos podem gravar e guardar, mas nunca conseguir partilhar com os restantes seres. Novamente o trovão rolando dentro da fechadura. Duas voltas já estão, uma para o fim. Fazendo o Peixe-Esqueleto sair do seu nevoeiro e se mostrar por completo. Agora visível ao seu olhar, consegue deslumbrar o corpo do peixe. Um corpo coberto por um casaco abas de grilos que cobre sua parte superior, descendo por sua cauda. Nas costas tem um corte de onde saem suas espinhas de barbatana. Por de baixo uma camisa branca. o Fim de sua cauda se encontra pousado no chão, com a barbatana servindo de pés. É uma visão tanto grandiosa como assustadora, uma visão que volta a falar antes que ela tenha tempo para girar mais uma vez a chave.
- Espera! Não pode entrar assim por essa porta.
Palavras que não geram muita confiança em seu coração. Todos os seus instintos lhe dizem para girar e abrir. Mas algo capta a sua atenção. Algo que esta em falta no rosto do Peixe-Esqueleto. O negro do espaço onde previamente deviam estar seus olhos. Um negro sincero, sem face de mentiras que lhe dá conforto.
- Tens que confiar em mim. - Volta ele a falar mais uma vez, agora num tom de desespero. - Tens que confiar em mim. Eu sei como passar pela porta. Já o fiz uma vez. Mas antes de voltares a girar a chave tens que saber que há um preço a pagar. Um preço que podes não estar disposta a pagar.
Em sua vida toda a sua vida teve que pagar um preço que não estava disposta a pagar. Mais uma vez querem roubar um pouco de si. Ladrões, são todos uns ladrões, pensa ela para si mesma.
- Mas se estiveres disposta a pagar o preço. Se estiveres disposta, o que vais encontrar do outro lado será mais do que todo que possas imaginar.
Ela deseja saber qual é o preço. Quer pagar o preço mesmo sem saber qual é. Mas como perguntar isso a uma esqueleto de um Peixe-Esqueleto que usa uma cartola e um casaco. Como falar consigo própria.
- Não te preocupes. Não tens que me perguntar nada. Não até que consigas voltar a falar. Até que te aperfeiçoares a mim. O preço a pagar é...é metade do teu coração. Tens que me dar metade dele, para que eu o possa usar.
Uma metade do coração? Como é possível alguém partir o seu coração em duas partes?! Gira a chave. Volta a tempestade dentro da fechadura. Três voltas, agora esta completo.

Volta a nascer o sol por vidros de sua janela do quarto. Aos poucos a luz aquece a madeira do quarto se desloca lentamente até subindo por sua cama, toca em seu corpo. Agora o acordando. De volta ao seu outro corpo de prisioneira.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Capitulo III

Embalada ao som da melodia regressa a sala empoeirada. Tão familiar, tão estranha. Perdeu a noção de quantas noites que frequenta. São tantas e inúmeras que deixam de ser contáveis. Todas diferentes, todas iguais. Assustadoras, maravilhosas, fantasia e terror se juntam a alegria de voltar a explorar o esquecido, o desconhecido. Nunca saiu da sala empoeirada, nunca saiu pela porta que chame baixo o seu nome. Nunca até hoje encontrou ninguém. Nunca até agora teve uma conversa com outro ser, vivo ou morto. Este parece ser um pouco dos dois. Envolto em nevoeiro. Usando uma cartola que chega aos céus do tecto, negra como a noite. Baloiçando com o vento inexistente na sala. Passos largos, acompanhados pelo tambor da bengala batendo na madeira do chão. A aparência de um daqueles apresentadores de tempos esquecidos que ela tanta adora. Lhe estende sua mão. Saindo do nevoeiro. Um luva branca como a de um esqueleto. Ela aceita, pegando a mão suavemente. Sem trocar nenhuma palavra entre os dois. Será que ele fala? Questões assim não perturbam os seus pensamentos aqui. Os Dois começam sua jornada de um canto da sala até a porta. Não andando, mas pulando feito crianças felizes. Cantando melodias infantis capazes de encher de alegria os mais tristes. O som de seus pés batendo no chão. Fazendo vibrar as paredes e o chão quebrar ao seu passar. Ranhuras subindo pelas paredes. Quebrando cimento solido. Rasgando papel de parede. Até que ficar envolto numa escuridão insistente. Deixa de existir todo que o que fica para trás deles. Como se fosse engolido por um buraco negro. Até chegando a porta o homem da cartola para de saltear. Com ele para ela. Fica esperando que ele lhe abra a porta. Afinal ele tem aspecto de ser dono de um cavalheirismo esquecido a muito.
Espera, Espera, até que para dissolução de seu coração a cartola permanece imóvel. Quase como morta. Até que resolve ela abrir a porta. Não sabe quanto tempo mais lhe resta antes do sol nascer do outro lado. Não pode esperar que ele se mova, não quer esperar. Sobe lentamente a mão que se encontra livre. Com receio e ansiedade ao mesmo tempo. Uma sensação que toma conta do seu corpo, até ao momento que sua mão de tamanha mediano. A mão de um jovem adolescente, na casa dos dezassete anos terrestres. Chega a chave de ferro. Uma chave que faz lembrar as que usam nas portas da igrejas. Prestes a rodar a chave, sente o vento provocado pelo movimento da enorme cartola. Agora descendo dos céus até ao seu rosto. Aos poucos uma face sai do nevoeiro que a envolve. Revelando cada mililitros de cada vez. Aos poucos vê o branco de seus ossos faciais. A falta de expressão no seu rosto quando finalmente deslumbra a face do seu acompanhante misterioso se deve ao mesmo de nunca ter visto algo semelhante. Nem em todos os livros de fantasia que leu, ou todas as historias que sua avo lhe contara. Era algo que esta para alem da compreensão dos seus olhos verdes claros como os campos na Primavera. É algo que esta para alem das capacidades de escrita do mais talentoso poeta. O que ele deslumbra é um rosto familiar. Agora com uma dimensão muito maior do que estava habituada a ver dentro do aquário rectangular que sempre se encontrou no meio da sala empoeirada. O rosto do Peixe-Esqueleto. Um rosto de peixe sem escamas ou "carne". Um rosto de peixe-esqueleto com uma cartola maior do que sua imaginação.

domingo, 22 de março de 2015

Capitulo II

A luz solar se desfaz no vidro da janela do quarto. A madeira da mesma ainda se encontra quente devido as altas temperaturas sentidas durante o dia. Ao longe se pode ver o infinito deserto de areia, tão morto, ao mesmo tempo tão cheio de vida. Um eco-sistema único no planeta que abriga algumas das mais belas e espantosas criação do Universo. Sobre as dunas se pode ver a lua nascer. Lua cheia, noite de lobisomens como sua avo lhe contava quando era mais pequena sentada no seu colo. Historias de arrepiar os mais crescidos e de encantar os mais pequenos. Reunidas todas num grande livro que ainda guarda na sua mesa de cabeceira junto a caixa de musica que apenas abre quando vai dormir.
O som ecoa do outro lado da porta, algo natural a esta hora. É a sua mão subindo as escadas para ajudar a deitar. A voz da porta é quase que rouca, mal se ouve abrindo. Mas é o suficiente para assustar as aves coloridas. O som das suas asas é nulo dentro das quatro paredes do quarto, apenas os predadores lá fora o ouvem. Como um trompete que anuncia o inicio da caça. Esta na hora de saírem de suas tocas e esconderijos, esta na hora de mostrar a sua superioridade. Um presente maravilho que lhe foi oferecido pela Mãe de todos. Mas isso é lá fora. Aqui dentro do seu quarto, protegida por paredes de cimento e tijolos, madeira e vidros nada,  nem ninguém lhe pode voltar a fazer mal.
O calor de sua mãe se aproxima lentamente por de trás de si. Pode sentir a sua chegada lentamente. Com medo de a assustar. Ela  adorava lhe dizer que já nada a pode assustar. Que o mundo lhe mostrou todas as suas crueldades no dia em que lhe roubou os seus movimentos, a sua voz. No dia em que roubou todo menos a sua vontade de viver. Essa ninguém lha pode roubar. Ninguém pode roubar o que é de um. O toque distante de sua mãe se aproxima do ferro protegido por borracha que puxa suavemente para si. As rodas deslizam pelo chão facilmente. Como se não estive-se ninguém sentada em cima da cadeira. Esse é o segredo que ela guarda para si, que sua filha se tornou num fantasma. As vezes deseja que todo acabe. Odeia-se por esse sentimento, mas não o pode negar. Não o conta a ninguém. As outras pessoas não o iam perceber. Pois.Pois só ela sabe o que é aquela agonia que lhe consume lentamente a alma e o coração.
Puxa, Puxa até chegar ao centro do quarto onde se encontra a cama individual. Com quatro "mastros" se erguendo nos ângulos, até perto do céu do quarto. Cobertos por nuvens de véus brancos e rosa, como os das princesas. O som das rodas a embater contra a madeira da cama, fazendo ocorrer um pequeno terramoto entre os dois. Desculpa minha querida, diz sussurrando para si mesmo. Os braços longos e delicados de sua mãe agora se envolvem em volta do seu corpo como se fossem eras trepando um tronco de uma árvore. Sente a sua força em seus ossos, agarrando forte, tremendo com o medo de a deixar cair. O seu corpo começa levitando da cadeira lentamente. Pode-se ouvir a respiração de sua mãe, tão alta como o bater de seu coração, fazendo lembrar o som de uma expulsão. Até que seu corpo volta a se sentir pousado. Desta vez em finos lençóis de ceda azul. Tão delicados como sua pele. Dignos de réis e rainhas. Capazes de provocar orgasmo de prazer. Mas em seu corpo "morto" não sente a diferença do cabedal de sua cadeira para ceda de seus lençóis. Não o sentiu, até mesmo quando tinha vida correr em suas veias. Sua cabeça pousada sobre almofada, com seu cabelo descendo sobre ela como um rio ou montanha de ouro. Ai que se sente o vento vindo do edredão, voando em sua direção até pousar gentilmente sobre o seu corpo. Agora protegido de um frio que não sente, pronto para repousar mais um noite que brilha do outro lado da janela.
Esperando por um beijo que não chega do alto onde se encontra a cabeça de seu progenitora, apenas cai involuntariamente uma gota de agua em forma de lágrima. A segundo é captura pela mão da sua proprietária. Se volta, abrindo a caixa de musica. O quarto não demora se enchendo de um nova alegria. Uma alegria que ela não sente em seu coração.

Se ouve seus passos agora apresados em direcção da porta que se abre bruscamente para se voltar a fechar. De um lado se ouve alegria de uma melodia, do outro se ouve os choros de uma mãe em agonia.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Capitulo I

Os passos vazios sobre a madeira do chão. O peso faz com que ela ceda levemente, a idade faz a gritar a cada passo dado por si. Poeira que foge com o vento criado pelo movimento de suas pernas. Poeira que cobre toda a sala abandonada. Chegando lentamente quase em silencio, como um fantasma, até ao canto da sala. O gramofone dourado repousando sobre a venha mesa de madeira castanha. Caixas de discos empoeirados, escritos em línguas esquecidas. Seus dedos vasculhando entre a poeira e cartão, procurando a melodia perfeita para dar vida ao que agora se encontra morto. A escolha, um caixa negra sem nenhuma descrição. Assim que a sua pele delicada de seus dedos tira o disco. Assim que o misterioso disco respira ar "puro" pela primeira vez em dezenas de anos. Um frio percorre sua espinha, dando a sensação que o inverno se encontra com ela ali naquela sala. Coloca o disco no gramofone, gentilmente deixa agulha cair sobre o mesmo. Ai que o som infernal de uma inteira orquestra acompanhada guitarras e teclados, soam por todos os cantos, fazendo as paredes sussurrar. Questiona a possibilidade do que esta a ouvir ser possível, para se perder em pensamentos mais vagos assim que a voz angelical começa a cantar uma melodia que se soa estranha, mas ao mesmo tempo tão familiar.
Suas linhas corporais ganham vida própria, sem respeitar os comandos de seu cérebro. Deixando-se levar numa dança de uma elegância, que nunca tinha provado. Dança sozinha, em posição de duas pessoas. Rodando, "passeando" pelos cantos da sala. Fazendo o chão chorar e o pó fugir. Até que a voz masculina aparece rasgando a melodia. Uma voz grossa como o trovão. Mudando a dança, mudando todo em seu redor. Ai que repara no espelho pendurado na parede. As suas vestes não são suas. Um vestido branco como nos filmes da época vitoriana pensou ela. Ai que repara que não esta a dançar sozinha. Seu companheiro esconde o seu rosto nas sombras. Ou serão as sombras o seu rosto. Dança, dança sem parar até a melodia falhar. O som da agua a cravar o disco profundamente, seguido do mesmo a se quebrar.
O melhor será fugir, correr, sem nunca olhar para trás. Mas não o faz. Não pode deixar sua imaginação nebular a sua visão. Sua mãe sempre lhe disse que os fantasmas eram fruto da sua basta, quase infinita imaginação. Uma imaginação capaz de criar e projectar Universos inteiros a partir de simples grãos de areia.
No seu coração sente um vazio como o do aquário rectangular que se encontrar posicionado no centro da sala. Já estava ali? Ou apareceu agora? Não sabe a resposta a sua duvida. A luz da lua é fraca, não dando uma visão clara da sala de uma só vez. É como um poema que se vai lendo e aos poucos se vai descobrindo todos os seus segredos escondidos.
Chega ao aquário o pó impera como seria de esperar. Mas algo se encontra lá dentro. Um peixe-esqueleto repousa no seu fundo junto a um pequeno baú de tesouro.
A mãe a chama, esta na hora de acordar.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Imortalidade - Trigo

Alguma vez acordaram num campo de trigo ao lado de um espantalho vestido igual a vos. Uma copia idêntica. Um espelho em três dimensões. Olhavam no rosto do espantalho e em seus olhos dois enormes botões de cores diferentes. Imóveis. Mantidos no local errado. Com as dimensões erradas. Mas por alguma razão eles tinham mais vida do que os nossos. Aquela copia vazia de palha, tinha mais alguma do que alguma vez nos tivemos. É assim que eu me sinto cada vez que vejo o meu reflexo. Pior que um espantalho. Pois ele sabe o seu propósito. Sabe o objectivo da sua criação. Assustar inocentes animais que apenas se querem alimentar. Eles são o pesadelo de muitos. Mas o que acontece quando algo novo surge. Algo que é feito do tecido dos pesadelos. Então quem é que salvaguarda o trigo do inocente animal que apenas se quer alimentar?
Sou eu. Somos nos irmãos. Os animais inocentes que apenas querem se alimentar. Mas quem é o vosso espantalho. Quem é que vos vai proteger de nos. Quem vai manter os campos de trigo salvos da nossa sede?

Autocontrole. Uma palavra tão elegante. Conseguir nos controlar, não importa em que situação. Autocontrole é o nosso espantalho que apodreceu com os anos. Autocontrole, comer apenas o necessário para sobrevivência. Roubar o que não nos pertence sem que ninguém se aperceba que foi roubado. E quando desejamos ser gulosos. Quando desejarmos um pouco mais. Quando o dia correu mal e desejarmos um copo para acalmar os nervos. Quando o inocente animal com fome perde o respeito pelo o espantalho podre. Quem vai os salvar agora?

Fome e gula vivem de mãos dadas. Quando nos preservemos já largamos a fome e estamos namorando a gula. E a gula é amiga intima com a vaidade. E nos somos Vaidosos. Nos somos perfeitos por criação. Não precisávamos mas somos. Nos conhecemos o nosso trigo. Sabemos que as melhores colheitas nem sempre são as que se apresentam melhor. As vezes as melhores são aquelas que ninguém repara nelas. São as que não precisam de provar que são melhores. São originais e por isso são felizes. E ninguém gosto de comer uma refeição triste. Todo mundo quer uma refeição feliz.

Mas fome não é a única coisa que nos deriva. Somos animais como todos. Temos todos as mesmas necessidades. Todos queremos anunciamos pelos mesmo prazeres. Todos temos corações. Uns mais luminosos do que outros. Mas até os mais escuros são capazes de amar. E quem deseja amar algo triste. Que perde seu tempo tentando agradar um mundo que não a merece. Queremos amar as coisas originais. As que percebem que a beleza esta no espírito e não na aparência.

E então o que acontece quando nos apaixonamos pelo trigo que queremos comer. Vai ser o nosso amor por ele um espantalho novo cheio de virtude digno de nos causar pesadelos. Ou vai ser mais um espantalho podre que com o tempo vai ceder a nossa fome.

Imortalidade - Fim

As paginas estão acabar. O tempo esse é que nunca acaba. O espaço na estante esta acabar. O tempo esse é que nunca acaba. A tinta esta acabar. O tempo, esse é imortal. Os meus dias estão acabar. A minha vida essa nunca acaba. Ao longo da nossa existência criamos mentiras que nos tornam menos assustadores. Porque melhor do que governar em medo é governar em esperança. Mentiras que nos deixam viver entre a humanidade sem que ela se aperceba da nossa existência. Nenhum animal sai com medo de sua toca quando sabe que o caçador só sai de noite. Se a luz do sol queima? Sem duvida que sim. Se não usar protector solar, ela queima todos nos. Estacas de madeira. Sempre podem vir a dar jeito. Nunca se sabe quando se vai precisar de um boa estaca de madeira. Prata. Óptimos assessórios. Sinceramente gosto mais da prata do que do ouro. Não que me faça mal. Apenas não gosto da cor e do que ele representa. Esse na verdade pode ter sido minha culpa. Agua venta. Óptima para aqueles dias de bastante calor. É muito importante não desidratar. Como é importante cultivar esperança. Governa sobre medo e uma dia eles deixaram de ter medo. Governa sobre esperança e eles viveram para sempre a espera do dia.

Se é possível alguém nos matar? Não. Mas todo o ser que nasce com vida tem o direito de renegar essa vida. Para essas ocasiões existe que algo diferente. Um anjo pouco conhecido. Ao contraio do anjo da morte. Um anjo nascido em pecado. Um anjo que eu enganei. Anjos são criaturas magnificas. Mais magnificas do que nos. Eles não tem limitações. Foram criados para nos dar uma espécie de conforto enganoso. Para isso se conseguem mudar de forma. Quando os vemos, vemos aquilo que mais desejar-mos ver. Esse foi o seu erro. O que eu mais desejo ver é a morte. E digamos que o anjo da morte não gosta de copias dele mas fabricadas. Ao contrario de nos eles se podem matar. A guerra entre os anjos do bem e do mal, ou lá o que é. Sinceramente não importa para aqui. Eu enganei o anjo. Fiz-o pensar que eu queria deixar de viver. É uma ideia tentadora a maior parte do tempo. Deixar este mundo podre para trás. Esquecer toda a dor que me assombra. Mas o que nos espera do lado de lá é mil vezes pior. O vazio. O escuro. A eternidade. A Solidão. Sem esperança. Sem sorrisos. Apenas nos e as nossas dores. Incapazes de chorar ou gritar. Incapazes de sentir. Incapazes de existir. Eu enganei o anjo. Fiz-o meu escravo. Agora ele é meu servo. Meu escravo em correntes. Essa parte a humanidade sabe do que eu falo. Escravos em correntes. Escravos inocentes.

A minha maldição faz com que o mundo se esqueça de mim. A minha maldição se tornou a maldição de meus irmãos. Os meus dias estão acabar e eu estou pronto para sair a casa. Eu e meu escravo em correntes. Vamos adicionar mais uma vitima ao vazio. Vamos eliminar mais um monstro da terra. Vamos purificar o que a natureza errou. Devia os amar. São meus irmãos. São meu sangue. São minha família. São parte de mim. Somos monstros sem alma. Somos vossos mestres. Somos os lobos da cadeia alimentar. Somos Deuses entre mortais. Pastores entre gado. Por isso que temos de ser eliminados.

Imortalidade - Inicio

Todos nos temos um ponto de nascimento. Todos nos temos um ponto que muda as nossas vidas para sempre. Todos nos temos aquele dia que desejar-mos ter dormido mais um pouco. Talvez chegar um pouco mais tarde. Ou mais cedo depende da situação.

Nos nascemos imortais. Duas classes. Um só objectivo. ser a raça dominante. Todos nos sabemos como isso acabou. Não podíamos dominar sem alimento. Então cultivamos alimento. Mas o que acontece quando esse alimento se torna numa praga? Partimos para uma guerra frontal? Deixamos que o alimento, conheça a sua presa? Somos superiores, mas as baixas seriam inevitáveis para o nosso lado. A morte de um de nos, equivale a morte de muitos deles. Eles se reproduzem. Nos somos apenas estes. Um ramo esquecido na cadeia da evolução. Guerra frontal fica fora da jogada. Por isso nos tornamos senhores das sombras e de lá governamos o gado sem que ele se aperceba que o pastor esta no controle.

Para tornar as coisas mais engraçadas. Uma piada de mal gosto. Nossas irmãs. Foram afortunadas com outros dotes diferentes do nossos. As suas maldições são diferente das nossas. O que não tornou a vida mais fácil para elas. Não que elas não merecessem. O mais provável é que meus irmãos estiveram por de trás de todo. Vingança é um prato que se serve melhor frio.

Piada de mal gosto. Que nos podiam ajudar. Ajudar a todos nos. Concretizar um desejo. Cada um tinha o livre atrito de escolher uma coisa para esquecer. Claro que livre atrito quando o nosso coração pertence a outra se torna apenas uma ideia romântica. E meu coração não pertencia a mim. Pertencia a bela donzela de olhos verdes e cabelos compridos castanhas avelã. Não tentou me mudar. Me controlar. Ou "ajudar". Tive livre atrito para escolher. Escolher a essência do meu ser a cada década. Não questionou meu coração. Apenas me beijou e sussurrou a meu ouvido o seu desejo. Sabia que o meu desejo me ia libertar de meus irmãos. Me dar asas para voar até onde os meus desejos me levassem. Não queria saber de gado. Apenas me alimentar dele por mais cruel que assasse. Sem alimento não se morre, apenas se torna fraco. Fraco de mais para se voltar alimentar. Mas forte para continuar a viver. Mais uma piada estúpida que foi escrita em nossas linhas.

Vivi a década sobre uma mascara de porcelana. Uma mascara não feita a minha media, mas a medida de meus irmãos e irmãs. Uma mascara que cai-a sempre que ela me beijava. Sorria. Tocava. Uma mascara igual a que o gado ira usar mais tarde.

Seu desejo ao meu ouvido. Seu desejo foi, nunca esquecer o meu nome. A donzela de olhos verdes e cabelos castanho avelha estava disposta a viver a eternidade ao meu lado. A mudar comigo a cada década. Me deu tantos nomes. Me esqueci de todos eles. A cada novo nome, lhe perguntava se era o meu primeiro nome. Ela sempre me disse que não. Apesar de eu poder ser em seu olhar apaixonado que sim. Ela amava aquela mascara a que aquele nome pertencia. Eu amava seus olhos. Seu cabelo. Seu sorriso. Seu coração. Quando isso passou continuei a amar. Seu corpo prefeito. Seus seios. Seu calor. Sua pele. Mas eternidade é algo infinito. E até o mais prefeito sexo pode ser aborrecido.

Até hoje não sei, nenhum dos milhares de nomes que tive. Mas sempre saberei a cor do seus olhos. O sabor dos seus lábios. O bater do seu coração. E ela para sempre saberá quem eu sou. AS minhas mascaras. As minhas dores. As minhas sombras. As minhas vitimas. Eu sou a sua maldição.

Imortalidade - Imaginem

Imaginem viver o quanto eu vivi. Imaginem as pessoas todas que podiam conhecer, década, após década. Imaginem o locais que podiam visitar. Imaginem as comidas que podiam saborear, se fosse possível comer alimentos sólidos. Imaginem as riquezas que podiam juntar. Imaginem o numero de mulheres com quem podiam ter dormido. Imaginem os livros que podiam ter lido, os filmes que podiam ter visto. Imagem as línguas que podiam aprender a falar. Imaginem as artes que podiam apreciar, as civilizações que podiam ter conhecido. Imaginem o conhecimento que podiam ter adquirido.

Estão a imaginar as coisas maravilhosas que podiam alcançar com a imortalidade?
Agora imaginem as vidas que iam de todos aqueles que amam desaparecer em frente dos nossos olhos, vezes sem conta. Imaginem as guerras que testemunhavam. Imaginem a fome e pobreza que iam encontrar. Imaginem as doenças que iam encarar. Ver as pessoas em seu redor a morrer aos poucos, enquanto andavam numa pilha de corpos sem um único sinal de doença.

Imaginem as inúmeras vezes que podiam ver o por do sol. Inúmeras vezes, o suficiente para um dos acontecimentos mais belos se tornar numa coisa banal. Claro que para a humanidade as maravilhas do Universo não passam de coisas banais, sem importância.

Imaginem o que fariam com o tempo. Imaginem o tédio que iam ter. Que trabalho iam preferir! Ou simplesmente iam enganar a ordem natural das coisas e viver sem consciências? Imaginem quantas vezes seriam de capazes de subir os picos mais altos do mundo com o corpo despido! Imaginem chegar ao pico e levantar o dedo para o anjo da morte. Gritar que não nos pode tocar.

Imaginem ser um saldado prefeito. Um soldado que sozinho é capaz de vencer uma guerra! Imaginem o preço que iam pagar ao vosso segredo deixar de o ser. Imaginem o que a humanidade ia fazer para descobrir todos os segredos escondidos dentro do teu corpo.

Imaginem com toda a vossa imaginação limitada.
Estão a imaginar? Eu não.
Eu estou a o viver constantemente.

Meu nome é       , minha idade! Parei de contar depois dos duzentos. Minha profissão actual professor. Conduzo um carro acabado de sair da garagem. Não me deixei apaixonar durante esta década, em vez disso faço como os homens casados e arranjai algumas amantes. Posso dizer que sou aquele professor cliché, aquele que dorme com as alunas para levantar as notas. O que é justo visto que elas, levantam! Claro que elas são todas maiores de idade. Apesar de que com a nossa diferença de idades, não sei se pode ser considerado pedofilia! Quer dizer elas tem dezoito, dezanove, eu tenho mais do que me apetece contar agora.

Me alimento apenas nos melhores estabelecimentos. Acho que posso dizer que como apenas comida rica. Ou melhor comida milionário ou com um b. Pratico exercício físico todos os dias. Basicamente cuido bem de mim.
No final da noite nunca adormeço sozinho, de manha nunca me lembro com quem acordo.

Agora sei o que estão a pensar sobre mim.
Já imaginaram sobre como viver a minha vida?
Foi isso que eu fiz, imaginei como viver a vossa.
Esta década me limitei a copiar a humanidade dos dias actuais. Também eu me deixei cair na sujeira de esgoto. Claro que eu me vou levantar dele na próxima década, quanto a vos! Infelizmente acho que continuareis no esgoto.

Imortalidade - Monstros part. II

Do outro lado da rua um baloiço vazio. O que outrora foi o brinquedo preferido de uma alma inocente é agora um relembre constante de dor. A dor passageira dos pais. Que certamente o amavam com todo o seu coração. A dor dos pais que não viveram tempo suficiente para ficar de luto pelo seu filho.
Do outro lado da rua uma caixa de areia. Uma caixa de madeira gasta. Cheia de areia branca e fina. Um pequeno deserto no meio de um montanha de betão. Tantas foram as brincadeiras lá realizadas por crianças, por jovens, adultos e idosos. Agora um constante relembre de dor para aquele que se tornou no seu carrasco. O único com a pá e força nos braços para escavar a cova da multidão.
Do outro lado da rua um prédio de muitos andares. O que outro foi o luxo de uma cidade orgulhosa. O ponto de referencias para os mais abastados de todos os campos do globo. Agora um constante relembre de dor. A dor daqueles, que a sofrem na primeira pessoa. Paredes brancas ganharam uma nova cor. Salpicos vermelhos vivos, jurados directamente de seus depósitos.

Do outro lado da rua mora a dor que o monstro gravou em minha alma. Gostava de poder subir os pátios da rua mais alta e gritar para todos os jornalistas que estivessem disposto a me ouvir, que eu não sou aquele monstro. Que ele é um parasita externo que se hospedou em meu corpo sem permissão. Mas a verdade é que eu sou ele. Ou melhor ele sou eu.

Ele é todo que me torna imortal. É a minha fonte da juventude. O meu cálice sagrado. E andou solto pelas ruas. Pelas pastagens de betão repletas de gado ao seu dispor. O "Lobo" tem a sua natureza. Esta acima do gado na cadeia alimentar. Eu sou o grande lobo mau da historias infantis. E não há caçadores suficiente para me apanharem.

Esta década é dele. A próxima voltara a ser minha. Ninguém se lembrara dele. Será apenas um fantasma. Uma memoria perdida. Uma realidade alternativa. Mas eu me lembro. Me lembro a cada olhar para o outro lado da rua.

Imortalidade - Monstros part. I

Sempre preferi dias de chuva do que dias de sol. Sol, a estrela mãe. Aquela que nos da vida a todos os nós. Radiante. Que faz todo florescer. Da cor e brilho as manhas de primavera. Oferece refugio nas tarde de Outono. E no inverno faz a suas aparências relâmpago para por todo o mundo a sorrir novamente. Gosto de pensar que ele é uma donzela que se sacrificou para dar vida a todos aqueles que não a merecem. Sim porque para ter todos esses atributos tem que ser algo realmente especial.
Vivo desde de sempre sobre o seu manto. De certa forme o folclore europeu o tornou o meu melhor aliado. O meu protector. Aquele que me esconde entre as multidões. Apesar disso sempre foi apaixonado pela chuva. Chuva, aquela que nos permite chorar na rua sem que ninguém se descubra a nossa dor. Aquela que da de beber as flores e chama os pássaros para um passeio. Como dizer que não a um longo passeio de mãos dadas sobre a chuva. Nossos pés mergulhados em agua. Nossas roupas unidas a nossa pele fria. Procurando o calor do outro, ao lado de uma lareira que arde lentamente. Se o sol é uma donzela a chuva é o cupido que junta os nossos corações.
Ao mesmo tempo chuva unida ao manto da noite se torna numa dor aguda que percorre todo o meu corpo, subindo pela minha garganta, saindo, gritando por minha cordas vocais. Um grito de desespero. Um grito que acorda memorias de um monstro. No fundo somos todos monstros. Apenas não o sabemos. A maior parte tem sorte em não viver o tempo suficiente para o descobrir.

Com o passar dos anos o monstro cresce dentro de nos. Se alimenta da nossa tristeza. Do buraco deixado pela felicidade que nos foi arrancada de nos cedo de mais. Essa é a sua refeição preferida. E quando cabra os seus dentes nela, nunca mais larga. Nunca mais fica saciado. É dono de uma fome infinita. Aos poucos ele sai de dentro de nos. Aos poucos nos controla. Coisas simples o inicio. Coisas que nos até gostamos. Não vemos a maldade nelas. Ir a um bar beber uns copos, fingir que eles tem algum efeito sobre nos. Pegar na companheira do vizinho e a levar para casa. Não chega a chegar a cama. Mal a porte se bate em nossas costas, começa. Ofendo orgasmos a essas mesmas companheiras em troca de nada. Ele oferece seu orgasmos a nos. Seus portadores. Nos faz pensar que é o nosso melhor amigo. Oferece-nos duas, três de uma vez, até chegar a uma orgia. Só eu e elas. Perfeitas, gemendo o nosso nome. Gritando de prazer. Com todo que temos direito, álcool, drogas, fantasias. Todo aquilo que é supérfluo, mas por algum motivo sempre desejamos ter. Ele nos oferece, sem nunca pedir nada em troca.

Então quando o sol vencido pela chuva tenta eliminar a primeira hora da manha, nos acorda-mos. Mas já não estamos mais em controlo, ele que nos comanda agora. Ao nosso redor estão os corpos frios. Roubados de suas jovens vidas em troca do orgasmos dele. As paredes salpicadas, corpos drenados e o nosso corpo sorrindo para o espelho. Mas aquele sorriso não é nosso. Nos choramos em silencio dentro do nosso corpo.
Quando se vive tempo suficiente para conhecer o monstro que somos...

Imortalidade - Marta

O ano era! sinceramente o que importa qual era o ano, dia, ou hora. Quando se vive para sempre essas coisas meio que se perdem aos poucos como areia num saco furado por uma navalha cega. Humanidade dá imensa importância ao tempo. O seu tempo é limitado, por isso adoram dar significados aos dias. Começam pelo dia em que nascem. O dia em que começaram a namorar. O dia em que se casaram. O dia do primeiro beijo. O dia do primeiro acto sexual. O dia em que um pais se tornou independente da escravidão de outro. Como se esse direito não lhe pertence-se no dia em que foi criado. Cada dia, uma nova data para celebrar. Quando o teu tempo é limitado não se deve esperar pela data que gravamos em nossa memoria como a correcta para celebrar, para dizer o quando ama-mos o outro. Ou o quando o odiamos. Quando o tempo é limitado deve-mos celebrar todos os dias, todos os motivos que nos fazem feliz, tristes. Que nos dão dor, nos fazem chorar. Que nos tornam no que somos. Bons ou maus. Afinal esse conceito não passa de precisão de ver as coisas. Certo ou errado. Não são opostos. São sinónimos.

Quando se vive para sempre não importa o ano que se esta. Por isso que o ano não é relevante em minha memoria. Apenas aquela visão de Deusa reencarnada no corpo de uma mortal. Com seus longos cabelos castanhos e seus olhos verdes. Todas as manhas eram como acordar numa casa de campo e olhar pela janela, ficando a deslumbrar os longos vales silvestres. Os seus lábios. Não prefeitos. Apenas simples e doces. Um relembre que as melhores coisas da vida são as mais singelas. Seus vestidos. Numa época onde o encanto ainda se encontrava no tecido que cobria a pele de quem os vestia.

Marta era o seu nome. Os nomes são importantes para quem esta condenado a esquecer o seu. Um nome tão belo, digno de uma princesa. O nome que eu daria a uma filha se não fosse amaldiçoado. Eu posso procriar. Posso criar vida perfeita. Não amaldiçoada. Posso criar vida órfã. O que eu me recuso a fazer. Já existe demasiado sofrimento no mundo. Não precisa de eu criar mais.
Marta de olhos verdes. Minha Marta. Prefeitos sete anos da minha vida. Até há manha onde todo foi rescrito novamente para mim. Ela Marta, eu outro nome. De seu grande amor, para um desconhecido tentando a fazer sorrir num bar. Não é tarefa difícil, quando se sabe todo sobre a pessoa ao lado. Ela acreditava em amor a primeira vista. Eu acreditava que merecia viver para sempre ao seu lado não importava o custo.

Se apaixonou novamente pelo velho amante. Cria-mos uma nova vida. Era viver um constante passado, mas ao seu lado todo parecia novo. As suas novas piadas, antigas para mim, sempre me surpreendiam e seus jogos no calar da noite sempre me deixavam a quer mais.

A terceira década se tornou mais difícil para ela acreditar no novo eu. Ela envelhecia, eu continuava jovem. A diferença de idades tornava difícil ela acreditar que eu a amava. Que eu a desejava. Mas ao meu olhar ela permanecia jovem como no primeiro dia em que a deslumbrei. Na quarta e quinta década limitei-me a ser um bom amigo. Um amigo que estava sempre ao seu lado. Ela nunca percebeu o porque eu desperdiçava os meus dias ao seu lado. Segundo ela, um jovem belo como eu devia estar a procura de uma noiva e não passar os dias ao lado de uma velha sem graça. O que ela não sabia era que eu estava com minha noiva.

Minha doce Marta. A única por quem fiquei até ao fim. A que mais feliz me fez. A que mais sofri. A visita do anjo da morte foi inevitável. Por mais que eu combate-se contra ele. Lhe oferecendo novos corpos para ele levar no seu lugar. Mas um dia foi inevitável ele a levou para longe de mim. Para um lugar onde eu nunca a vou poder visitar. Um lugar onde ela sempre estará sozinha. Porque eu foi egoísta e a quis sempre para mim. Nunca a deixei parti.Eu a condenei, a uma eternidade de solidão.

Imortalidade - O preço da felicidade

O sonho de muitos é encontrar aquela pessoa com quem desejamos passar o resto da nossa miserável vida. Aquela pessoa que torna o pesadelo que chama-mos de nosso habitat, num sonho. Muitos o concretizam. Outros passam todo o tempo a o procurar, para nunca o encontrar. Agora imaginem aqueles que o encontram e o perdem. Não uma vez, nem duas ou três mas vezes infinitas. Infinitas vezes conhecer a razão por qual vivemos. Infinitas vezes a perder-mos.

Procuram conforto em Deuses e que foi o anjo da morte que os levou para longe. Não para sempre. Apenas por alguns minutos, até que nos leve a nós até ao seu encontro, onde vamos viver eternamente ao lado dos nossos criadores. Há aqueles que a dor é demasiado grande. São eles a chamar o anjo da morte e não o contrario.

Eu não o posso fazer. Não posso chamar o anjo da morte. Não posso esperar que ele me leve. Ele desconhece a minha existência. Para ele sou apenas mais um fornecedor. Não um cliente.
Perdi todas as razões que me deram felicidade. Todas elas deixaram um buraco negro no meu coração. Não há conforto em saber que eles apenas morreram. Que é a lei natural das coisas a agir. Simplesmente acordam um dia se não se lembram de quem eu sou. Um minuto sou o seu grande amor, no seguinte sou apenas mais um rosto desconhecido no meio da multidão que fica a olhar para ela sem aparente razão. Provavelmente um violador, ladrão, ou assassino, na mente dela.
Uma dor que o álcool não ajuda a afogar. Uma dor que não se substituir com drogas, que não fazem efeito em meu sistema imunitário. Condenado ao sofrimento, foge-se daquela cidade. Procura-se um novo lar. Um novo amor. Uma nova vida. Até ela não passar de mais um buraco negro no meu coração.

Quando se vive eternamente, todas as cidades do mundo não chegam para fugir da dor que nos assombra. Quando conhecemos o labirinto melhor do que nos conhece-mos a nos. O que fazemos então? Encurralados nas sombras do passado. Cada banco de jardim é um lembrete de uma vida passada. Cada flor que nasce no canto da estrada é uma donzela que já sorriu sobre as suas pétalas. Cada pedra da calçada é um corvo que foge da alma.

Este é o preço da felicidade quando a vida se torna longa de mais. O limiar do cordel que separa o pesadelo do sonho. Quando a linha reta é desafiada por forças que a obrigam criar redondas.

Imortalidade - Nomes

Eu sou o maior sonho da humanidade. Eu sou conhecido por muitos nomes e nenhum deles me pertence. Esse foi perdido a muito tempo numa louca noite de Novembro. Foi a única coisa que perdi em milhares de anos. Temos a escolha de poder esquecer algo. Um gesto cruel disfarçado de uma bênção pelos nossos criadores. Deuses, ordem natural de evolução, extraterrestre. Ao longo do percurso as teorias são tantas e eu me recordo de todas. Me embebedei em todas. Me alimentei em todas. Em todas foi odiado. Em todas foi folclore monstruoso que existiu apenas na perversão de meus irmãos e minhas irmãs.

A crueldade de esquecer apenas uma memoria. Guiado por falsos projectas, antes de réis e imperadores ou políticos corruptos, já existia poder. Já existia a humanidade e nela mascarada já existia as pessoas sem alma. Sem o poder de amar ou odiar. Já existia quem fosse capaz de criar nevoeiro. Cegar os que se perdem pelo caminho. Os guiar ao inferno eterno só para poderem sentir algo maior do que a sua estúpida existência.

Na crueldade de esquecer apenas uma memoria, é tão fácil escolher o caminho mais fácil. O caminho que nos navega para o nosso pessoal paraíso. E claro que há sempre quem tente enganar o sistema cruel. Escolher, esquecer todo. Esses nunca descobriram o resultado da sua escolha, nem nunca descobrirão. Como eu têm muitos nomes, mas nos dias que correm na linha temporal actual são mais conhecidos por insanos.

Na crueldade de esquecer apenas uma memoria. Outros navegaram pelas palavras dos seus senhores, que não demoraram a ser promovidos a alimento. Esquecer como é ser humano. Não ter sentimentos. Ser pior que um animal selvagem. A única coisa por qual acordam, é fome. Algo parecido ao novo conceito de zombei, só que mais inteligente e muito mais real. São eles que te esperam num beco escuro e te apresentam a verdadeira definição de monstro. O melhor dicionário do mundo contendo apenas uma palavra.

Esquecer o nome em cada década pareceu a melhor solução a um problema sem solução. Algo parecido ao anjo da morte mecânico da humanidade. O nome apenas contem a essencial do meu ser. A minha alma. Todo que eu sou durante uma década esta gravado em suas letras. O que eu amo. O que eu odeio. O que visto. O que eu ouço. O que eu considero belo. O que considero certo ou errado. O tipo de mulher que desejo. A língua que falo. Todo esta associado ao nome. A cada década me esqueço dele. Não tem como me lembrar.
Ao longo dos anos tentei de todo. Tatuar o meu nome em todo o meu corpo. Escrever ele em todos os lugares possíveis. Conhecer o maior numero de pessoas possíveis. Cometi atrocidades maiores do que as dos meus irmãos e irmãs. Todo na esperança de alguém se lembrar do meu nome. Mas todo desaparece, todo esquece do que eu fiz. De quem eu sou. Todos menos eu. Todo permanece guardado nas minhas memorias. Todo menos ele. Me obrigando a reinventar sobre um novo nome como se fosse um actor interpretando um papel numa peça de teatro macabra e o mundo é o meu palco. Por de trás de cada cortina um novo cenário. Por de trás de cada cenário um porta cheia de "esqueletos no armário". Em cada esqueleto, um amor, uma morte, ou algo pior.

Imaginarem viver o tempo suficiente para conhecer todo o mundo e todo o mundo ser um álbum de recordações que nos assombram eternamente.
Eu sou o maior sonho da humanidade. E este o o preço que pego que pagar por ele.

Imortalidade - Introdução

Um dos maiores sonhos da humanidade é a imortalidade. Mas não um imortalidade qualquer não. Somos demasiados egoístas e egocêntricos para isso. Um Dos maiores sonhos da humanidade é a imortalidade jovem. Viver para sempre, ser para sempre jovem. Não chega enganar a morte. Temos que enganar também o nosso sistema biológico. Enganar todo aquilo que nos torna humanos. Vencer os Deuses no seu próprio jogo. Levantar o dedo do meio e apontar para os céus. Mostrar que quem manda somos nos. Que eles se podem foder.

Esse é o sonho da humanidade. Não muito atrás o sonho foi construir algo inatural. Construir um anjo da morte mecânico. O anjo que ia acabar com todas as guerras do mundo. O anjo abriu suas asas e com eles trouxe ordas de demónios que eliminaram os inimigos. A guerra foi vencida, o anjo colocado em sono leve, pronto para acordar. A humanidade reencarnou o génio da lâmpada e satisfez o seu desejo. Um génio quebrado que criou um monstro, mas não comprimiu a sua maior promessa. A guerra continua sendo o maior lucro desse génio.

Um dos maiores sonhos da humanidade não pertence a eles. Pertence aqueles que vivem entres ranhuras do silencio. Aqueles que segredam em segredo no meio de um multidão. Aqueles que eles tanto adoram ilustrar como monstros. Quando os verdadeiros monstros são eles. Aqueles que foram esquecidos durante a evolução e permanecem no topo da cadeia alimentar. Aqueles que não amam. Aqueles sem alma. Ou pelo menos é assim que alguns gostam de se enganar quando se levantam todas as manhas e se vêm ao espelho.

Esta não é uma historia de terror. Não é um conto romântico. Um poema gótico. Ou um melodia esquecida nas paginas de um livro empoeirado numa prateleira de um bruxa. Está é a historia do preço, de um dos maiores sonhos da humanidade. Este é o preço da imortalidade.