Embalada ao som da melodia regressa a sala empoeirada. Tão familiar, tão estranha. Perdeu a noção de quantas noites que frequenta. São tantas e inúmeras que deixam de ser contáveis. Todas diferentes, todas iguais. Assustadoras, maravilhosas, fantasia e terror se juntam a alegria de voltar a explorar o esquecido, o desconhecido. Nunca saiu da sala empoeirada, nunca saiu pela porta que chame baixo o seu nome. Nunca até hoje encontrou ninguém. Nunca até agora teve uma conversa com outro ser, vivo ou morto. Este parece ser um pouco dos dois. Envolto em nevoeiro. Usando uma cartola que chega aos céus do tecto, negra como a noite. Baloiçando com o vento inexistente na sala. Passos largos, acompanhados pelo tambor da bengala batendo na madeira do chão. A aparência de um daqueles apresentadores de tempos esquecidos que ela tanta adora. Lhe estende sua mão. Saindo do nevoeiro. Um luva branca como a de um esqueleto. Ela aceita, pegando a mão suavemente. Sem trocar nenhuma palavra entre os dois. Será que ele fala? Questões assim não perturbam os seus pensamentos aqui. Os Dois começam sua jornada de um canto da sala até a porta. Não andando, mas pulando feito crianças felizes. Cantando melodias infantis capazes de encher de alegria os mais tristes. O som de seus pés batendo no chão. Fazendo vibrar as paredes e o chão quebrar ao seu passar. Ranhuras subindo pelas paredes. Quebrando cimento solido. Rasgando papel de parede. Até que ficar envolto numa escuridão insistente. Deixa de existir todo que o que fica para trás deles. Como se fosse engolido por um buraco negro. Até chegando a porta o homem da cartola para de saltear. Com ele para ela. Fica esperando que ele lhe abra a porta. Afinal ele tem aspecto de ser dono de um cavalheirismo esquecido a muito.
Espera, Espera, até que para dissolução de seu coração a cartola permanece imóvel. Quase como morta. Até que resolve ela abrir a porta. Não sabe quanto tempo mais lhe resta antes do sol nascer do outro lado. Não pode esperar que ele se mova, não quer esperar. Sobe lentamente a mão que se encontra livre. Com receio e ansiedade ao mesmo tempo. Uma sensação que toma conta do seu corpo, até ao momento que sua mão de tamanha mediano. A mão de um jovem adolescente, na casa dos dezassete anos terrestres. Chega a chave de ferro. Uma chave que faz lembrar as que usam nas portas da igrejas. Prestes a rodar a chave, sente o vento provocado pelo movimento da enorme cartola. Agora descendo dos céus até ao seu rosto. Aos poucos uma face sai do nevoeiro que a envolve. Revelando cada mililitros de cada vez. Aos poucos vê o branco de seus ossos faciais. A falta de expressão no seu rosto quando finalmente deslumbra a face do seu acompanhante misterioso se deve ao mesmo de nunca ter visto algo semelhante. Nem em todos os livros de fantasia que leu, ou todas as historias que sua avo lhe contara. Era algo que esta para alem da compreensão dos seus olhos verdes claros como os campos na Primavera. É algo que esta para alem das capacidades de escrita do mais talentoso poeta. O que ele deslumbra é um rosto familiar. Agora com uma dimensão muito maior do que estava habituada a ver dentro do aquário rectangular que sempre se encontrou no meio da sala empoeirada. O rosto do Peixe-Esqueleto. Um rosto de peixe sem escamas ou "carne". Um rosto de peixe-esqueleto com uma cartola maior do que sua imaginação.
Espera, Espera, até que para dissolução de seu coração a cartola permanece imóvel. Quase como morta. Até que resolve ela abrir a porta. Não sabe quanto tempo mais lhe resta antes do sol nascer do outro lado. Não pode esperar que ele se mova, não quer esperar. Sobe lentamente a mão que se encontra livre. Com receio e ansiedade ao mesmo tempo. Uma sensação que toma conta do seu corpo, até ao momento que sua mão de tamanha mediano. A mão de um jovem adolescente, na casa dos dezassete anos terrestres. Chega a chave de ferro. Uma chave que faz lembrar as que usam nas portas da igrejas. Prestes a rodar a chave, sente o vento provocado pelo movimento da enorme cartola. Agora descendo dos céus até ao seu rosto. Aos poucos uma face sai do nevoeiro que a envolve. Revelando cada mililitros de cada vez. Aos poucos vê o branco de seus ossos faciais. A falta de expressão no seu rosto quando finalmente deslumbra a face do seu acompanhante misterioso se deve ao mesmo de nunca ter visto algo semelhante. Nem em todos os livros de fantasia que leu, ou todas as historias que sua avo lhe contara. Era algo que esta para alem da compreensão dos seus olhos verdes claros como os campos na Primavera. É algo que esta para alem das capacidades de escrita do mais talentoso poeta. O que ele deslumbra é um rosto familiar. Agora com uma dimensão muito maior do que estava habituada a ver dentro do aquário rectangular que sempre se encontrou no meio da sala empoeirada. O rosto do Peixe-Esqueleto. Um rosto de peixe sem escamas ou "carne". Um rosto de peixe-esqueleto com uma cartola maior do que sua imaginação.
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