O Peixe-Esqueleto abre a sua boca e fala pela primeira vez. Sua voz soa como o trovão rasgando os céus. Como uma tempestade que lavra todo em seu caminho. Até que os ventos fortes e as chuvas torrenciais passam, as nuvens dispersam e o sol volta a brilhar alegremente com o canto da Mãe de todos se fazendo ouvir em todas as direcções.
-Peço desculpa por isso. - Diz o Peixe-Esqueleto. - A muito tempo que não uso a minha voz. As minhas cordas vocais estão empoeiradas como todo nesta sala.
Silencio é o que se segue. Sua boca não reproduz nenhum som em resposta. O peixe fala. É a única coisa que ela consegue pensar no momento. O pânico toma conta de suas acções, o que a leva agarrar mais forte a chave. O som dela girando na fechadura quebra o silencio da sala. Uma volta já esta, mais duas para o fim. A expressão no rosto do Peixe-Esqueleto é algo para alem da descrição de palavras. É algo que apenas seus olhos podem gravar e guardar, mas nunca conseguir partilhar com os restantes seres. Novamente o trovão rolando dentro da fechadura. Duas voltas já estão, uma para o fim. Fazendo o Peixe-Esqueleto sair do seu nevoeiro e se mostrar por completo. Agora visível ao seu olhar, consegue deslumbrar o corpo do peixe. Um corpo coberto por um casaco abas de grilos que cobre sua parte superior, descendo por sua cauda. Nas costas tem um corte de onde saem suas espinhas de barbatana. Por de baixo uma camisa branca. o Fim de sua cauda se encontra pousado no chão, com a barbatana servindo de pés. É uma visão tanto grandiosa como assustadora, uma visão que volta a falar antes que ela tenha tempo para girar mais uma vez a chave.
- Espera! Não pode entrar assim por essa porta.
Palavras que não geram muita confiança em seu coração. Todos os seus instintos lhe dizem para girar e abrir. Mas algo capta a sua atenção. Algo que esta em falta no rosto do Peixe-Esqueleto. O negro do espaço onde previamente deviam estar seus olhos. Um negro sincero, sem face de mentiras que lhe dá conforto.
- Tens que confiar em mim. - Volta ele a falar mais uma vez, agora num tom de desespero. - Tens que confiar em mim. Eu sei como passar pela porta. Já o fiz uma vez. Mas antes de voltares a girar a chave tens que saber que há um preço a pagar. Um preço que podes não estar disposta a pagar.
Em sua vida toda a sua vida teve que pagar um preço que não estava disposta a pagar. Mais uma vez querem roubar um pouco de si. Ladrões, são todos uns ladrões, pensa ela para si mesma.
- Mas se estiveres disposta a pagar o preço. Se estiveres disposta, o que vais encontrar do outro lado será mais do que todo que possas imaginar.
Ela deseja saber qual é o preço. Quer pagar o preço mesmo sem saber qual é. Mas como perguntar isso a uma esqueleto de um Peixe-Esqueleto que usa uma cartola e um casaco. Como falar consigo própria.
- Não te preocupes. Não tens que me perguntar nada. Não até que consigas voltar a falar. Até que te aperfeiçoares a mim. O preço a pagar é...é metade do teu coração. Tens que me dar metade dele, para que eu o possa usar.
Uma metade do coração? Como é possível alguém partir o seu coração em duas partes?! Gira a chave. Volta a tempestade dentro da fechadura. Três voltas, agora esta completo.
Volta a nascer o sol por vidros de sua janela do quarto. Aos poucos a luz aquece a madeira do quarto se desloca lentamente até subindo por sua cama, toca em seu corpo. Agora o acordando. De volta ao seu outro corpo de prisioneira.
-Peço desculpa por isso. - Diz o Peixe-Esqueleto. - A muito tempo que não uso a minha voz. As minhas cordas vocais estão empoeiradas como todo nesta sala.
Silencio é o que se segue. Sua boca não reproduz nenhum som em resposta. O peixe fala. É a única coisa que ela consegue pensar no momento. O pânico toma conta de suas acções, o que a leva agarrar mais forte a chave. O som dela girando na fechadura quebra o silencio da sala. Uma volta já esta, mais duas para o fim. A expressão no rosto do Peixe-Esqueleto é algo para alem da descrição de palavras. É algo que apenas seus olhos podem gravar e guardar, mas nunca conseguir partilhar com os restantes seres. Novamente o trovão rolando dentro da fechadura. Duas voltas já estão, uma para o fim. Fazendo o Peixe-Esqueleto sair do seu nevoeiro e se mostrar por completo. Agora visível ao seu olhar, consegue deslumbrar o corpo do peixe. Um corpo coberto por um casaco abas de grilos que cobre sua parte superior, descendo por sua cauda. Nas costas tem um corte de onde saem suas espinhas de barbatana. Por de baixo uma camisa branca. o Fim de sua cauda se encontra pousado no chão, com a barbatana servindo de pés. É uma visão tanto grandiosa como assustadora, uma visão que volta a falar antes que ela tenha tempo para girar mais uma vez a chave.
- Espera! Não pode entrar assim por essa porta.
Palavras que não geram muita confiança em seu coração. Todos os seus instintos lhe dizem para girar e abrir. Mas algo capta a sua atenção. Algo que esta em falta no rosto do Peixe-Esqueleto. O negro do espaço onde previamente deviam estar seus olhos. Um negro sincero, sem face de mentiras que lhe dá conforto.
- Tens que confiar em mim. - Volta ele a falar mais uma vez, agora num tom de desespero. - Tens que confiar em mim. Eu sei como passar pela porta. Já o fiz uma vez. Mas antes de voltares a girar a chave tens que saber que há um preço a pagar. Um preço que podes não estar disposta a pagar.
Em sua vida toda a sua vida teve que pagar um preço que não estava disposta a pagar. Mais uma vez querem roubar um pouco de si. Ladrões, são todos uns ladrões, pensa ela para si mesma.
- Mas se estiveres disposta a pagar o preço. Se estiveres disposta, o que vais encontrar do outro lado será mais do que todo que possas imaginar.
Ela deseja saber qual é o preço. Quer pagar o preço mesmo sem saber qual é. Mas como perguntar isso a uma esqueleto de um Peixe-Esqueleto que usa uma cartola e um casaco. Como falar consigo própria.
- Não te preocupes. Não tens que me perguntar nada. Não até que consigas voltar a falar. Até que te aperfeiçoares a mim. O preço a pagar é...é metade do teu coração. Tens que me dar metade dele, para que eu o possa usar.
Uma metade do coração? Como é possível alguém partir o seu coração em duas partes?! Gira a chave. Volta a tempestade dentro da fechadura. Três voltas, agora esta completo.
Volta a nascer o sol por vidros de sua janela do quarto. Aos poucos a luz aquece a madeira do quarto se desloca lentamente até subindo por sua cama, toca em seu corpo. Agora o acordando. De volta ao seu outro corpo de prisioneira.
Sem comentários:
Enviar um comentário