sábado, 28 de março de 2015

Capitulo VIII

Passamos os ponteiros do relógio para uma cena já nossa conhecida. Deixamos o dia correr em nossa imaginação, deixando nos voltar a envolver pela a escuridão da noite que se faz abater novamente sobre as palavras escritas. Com a escuridão viajamos novamente para o outro lado onde esperávamos encontrar a sala empoeirada com a jovem donzela e o misterioso esqueleto de peixe-esqueleto que responde pelo nome de Peixe-Esqueleto. Mas deslumbramos uma paisagem diferente. A porta foi aberta e com ela o cenário sombrio ficou para trás. Agora flores de todas as cores crescem por colinas a perder de vista. No meio das flores duas falhas, uma pequena e outro maior. Deitados sobre as flores esta ela agora com o corpo de uma criança de seis anos cheia de inocência. E ao seu lado o Peixe-Esqueleto. Agora por entre seus olhos, espinhas, camisa e casaco deslumbramos algo novo. Algo encarnado, que bate suavemente no seu peito. É metade do coração que ela pagou para abrir a porta. Agora lhe pertence. No seu rosto podemos ver um novo sorriso. Um sorriso capaz de transmitir alegria e vontade de correr pelas colinas. Com suas barbatanas ágeis como se fossem braços arranca uma flor e a lança ao ar. Como por magia a flor começa a voar lentamente. Subindo, subindo como um balão de ar quente até aos céus.
- São flores de ar quente - Lhe diz ele, agora com uma voz mais simpática e alegre do que no seu ultimo encontro. - Queres ver algo incrivelmente magico?
A menina abana com a cabeça que sim. Seus cabelos agora ruivos dançam sobre o seu rosto cobrindo como cortinas os seus olhos castanhos de terra fresca numa manha de Outono. Seus caracóis relembram as ondas de um Oceano calmo, onde se pode navegar tranquilamente, até ao cair do manto estrelar.
- Sim? Então anda comigo. Vamos pegar o máximo de flores que conseguirmos. O máximo de cores diferente que encontramos.
Assim os dois partem numa corrida pelos vales, deixando um rasto de flores a voar atrás de si. Cada toque de seus pés, cada flor que levanta voo como um corpo celeste. As suas mãos e barbatanas agarram o máximo de flores que conseguem enquanto correm como loucos. Ao fim de poucos minutos as flores conhecidas são tantas que seus rostos deixam de ser visíveis. No Peixe-Esqueleto só se consegue ver a sua alta cartola, enquanto a menina desapareceu entre as flores de tantas cores, quantas do arco-íris. Não demorando muito mais os pés pequenos da menina começam a se levitar lentamente do chão sem que ela dá conta. Encantada com o momento de alegria que enche sua metade de coração e sua alma. Alegria como não se lembra de sentir. Centímetro, após centímetro, até levita mais alto do que as flores. Ai que o Peixe-Esqueleto repara e se começa a rir. Um sorriso genuíno vindo do seu novo bocado de humanidade. Pousa gentilmente as suas flores de ar quente, as mandando estares quietas. Como se entendem suas palavras as flores permanecem presas ao solo sem se elevar nos céus como as suas vizinhas. Lança suas barbatanas e agarra a menina.
- Pronto já temos flores que cheguem. Não te queremos a voar por ai sozinha. - Dizendo ele sempre sorridente. - Agora vós também estais quietas até que vós mandem voar.

Mais uma vez as flores obedecem aos seus comandos e não elevam a menina no ar. Agora juntos erguem suas mãos no ar com todas as flores prontas para voar. Assim que recebem o comando do Peixe-Esqueleto começam a se elevar lentamente, todas juntas. Aos poucos começam a se separar umas das outras. Consegue se sentir uma pequena brisa provocada pelo seus voos. Se pode quase ouvir elas conversando entre si. Se juntam numa dança magica de cores nos céus. Algo tão belo e magico, que não cabe em meras palavras. Podemos imaginar como se fosse uma dança de milhares de estrelas de cores diferentes no manto negro da noite. Dançam, até se juntarem aos poucos. Ganhando formas, cada vez mais se juntando. Assim que a dança termina o céu ficou ilustrado com a imagem da menina com o Peixe-Esqueleto, os dois juntos sobre um arco-íris. Um retrato feito em flores de ar quente que sobrevoa as suas cabeças. Os dois ficam sorrindo, até que continuam a sua viagem pelos vales das flores. 

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