Os passos vazios sobre a madeira do chão. O peso faz com que ela ceda levemente, a idade faz a gritar a cada passo dado por si. Poeira que foge com o vento criado pelo movimento de suas pernas. Poeira que cobre toda a sala abandonada. Chegando lentamente quase em silencio, como um fantasma, até ao canto da sala. O gramofone dourado repousando sobre a venha mesa de madeira castanha. Caixas de discos empoeirados, escritos em línguas esquecidas. Seus dedos vasculhando entre a poeira e cartão, procurando a melodia perfeita para dar vida ao que agora se encontra morto. A escolha, um caixa negra sem nenhuma descrição. Assim que a sua pele delicada de seus dedos tira o disco. Assim que o misterioso disco respira ar "puro" pela primeira vez em dezenas de anos. Um frio percorre sua espinha, dando a sensação que o inverno se encontra com ela ali naquela sala. Coloca o disco no gramofone, gentilmente deixa agulha cair sobre o mesmo. Ai que o som infernal de uma inteira orquestra acompanhada guitarras e teclados, soam por todos os cantos, fazendo as paredes sussurrar. Questiona a possibilidade do que esta a ouvir ser possível, para se perder em pensamentos mais vagos assim que a voz angelical começa a cantar uma melodia que se soa estranha, mas ao mesmo tempo tão familiar.
Suas linhas corporais ganham vida própria, sem respeitar os comandos de seu cérebro. Deixando-se levar numa dança de uma elegância, que nunca tinha provado. Dança sozinha, em posição de duas pessoas. Rodando, "passeando" pelos cantos da sala. Fazendo o chão chorar e o pó fugir. Até que a voz masculina aparece rasgando a melodia. Uma voz grossa como o trovão. Mudando a dança, mudando todo em seu redor. Ai que repara no espelho pendurado na parede. As suas vestes não são suas. Um vestido branco como nos filmes da época vitoriana pensou ela. Ai que repara que não esta a dançar sozinha. Seu companheiro esconde o seu rosto nas sombras. Ou serão as sombras o seu rosto. Dança, dança sem parar até a melodia falhar. O som da agua a cravar o disco profundamente, seguido do mesmo a se quebrar.
O melhor será fugir, correr, sem nunca olhar para trás. Mas não o faz. Não pode deixar sua imaginação nebular a sua visão. Sua mãe sempre lhe disse que os fantasmas eram fruto da sua basta, quase infinita imaginação. Uma imaginação capaz de criar e projectar Universos inteiros a partir de simples grãos de areia.
No seu coração sente um vazio como o do aquário rectangular que se encontrar posicionado no centro da sala. Já estava ali? Ou apareceu agora? Não sabe a resposta a sua duvida. A luz da lua é fraca, não dando uma visão clara da sala de uma só vez. É como um poema que se vai lendo e aos poucos se vai descobrindo todos os seus segredos escondidos.
Chega ao aquário o pó impera como seria de esperar. Mas algo se encontra lá dentro. Um peixe-esqueleto repousa no seu fundo junto a um pequeno baú de tesouro.
Suas linhas corporais ganham vida própria, sem respeitar os comandos de seu cérebro. Deixando-se levar numa dança de uma elegância, que nunca tinha provado. Dança sozinha, em posição de duas pessoas. Rodando, "passeando" pelos cantos da sala. Fazendo o chão chorar e o pó fugir. Até que a voz masculina aparece rasgando a melodia. Uma voz grossa como o trovão. Mudando a dança, mudando todo em seu redor. Ai que repara no espelho pendurado na parede. As suas vestes não são suas. Um vestido branco como nos filmes da época vitoriana pensou ela. Ai que repara que não esta a dançar sozinha. Seu companheiro esconde o seu rosto nas sombras. Ou serão as sombras o seu rosto. Dança, dança sem parar até a melodia falhar. O som da agua a cravar o disco profundamente, seguido do mesmo a se quebrar.
O melhor será fugir, correr, sem nunca olhar para trás. Mas não o faz. Não pode deixar sua imaginação nebular a sua visão. Sua mãe sempre lhe disse que os fantasmas eram fruto da sua basta, quase infinita imaginação. Uma imaginação capaz de criar e projectar Universos inteiros a partir de simples grãos de areia.
No seu coração sente um vazio como o do aquário rectangular que se encontrar posicionado no centro da sala. Já estava ali? Ou apareceu agora? Não sabe a resposta a sua duvida. A luz da lua é fraca, não dando uma visão clara da sala de uma só vez. É como um poema que se vai lendo e aos poucos se vai descobrindo todos os seus segredos escondidos.
Chega ao aquário o pó impera como seria de esperar. Mas algo se encontra lá dentro. Um peixe-esqueleto repousa no seu fundo junto a um pequeno baú de tesouro.
A mãe a chama, esta na hora de acordar.
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