Do outro lado da janela se ouve as primeiras melodias dos canários do deserto. Pequenas aves de penas de areia e bicos encarnados. Pousados numa singular árvore que espalha seus ramos por metros em seu redor. Secos e sem vida verde, sobrevive apenas do que terra lhe oferece. Mais um dos milagres que a Mãe de todos oferece. Se descermos dos longos ramos pelo tronco oco, casa de um belo casal de Pica-Pau-esmeralda. Duas belas aves que partilham o seu pequeno almoço com suas crias de poucos dias de nascença. Mais um milagre que Ela no oferece. Descemos pelo tronco até chegar a areia onde as suas raízes se estendem por metros a procura de agua. Ai que podemos deslumbrar o andar de baixo da casa. Olhamos pela janela de madeira gasta pelo tempo e vidros a espera de quebrar. Mantidos únicos fita e cola. Um vidro novo custa o mesmo que o remédio de sua filha. Um vidro novo custa a vida a sua filha. Por isso para a mãe nem sequer é uma questão que lhe passa pelos seus pensamentos. Dentro da cozinha vemos a outrora elegante donzela, agora sem o seu sorrisos capaz de encantar qualquer homem ou mulher. Todos os dias a mesma hora a frente do fogão prepara o pequeno almoço para dois. Dois pratos postos na pequena mesa de madeira. Dois garfos. Duas facas e dois copos. Duas cadeiras, uma em cada ponta da mesa. No centro um prato maior cheio de panquecas e sumo de laranja. Laranja o seu fruto preferido. Doce e amargo ao mesmo tempo. Um pouco como a sua vida. Mas agora prefere limão. São apenas amargos assim como sua vida. Do fogão retira a frigideira com a ultima panqueca em formato de coração. A sua filha adora-as em formato de coração. Era capaz de as devorar em questão de segundos. Agora ficam a repousar sobre a mesa de manha até o outro dia. Ganhando pó, lembrando todo aquilo que ela perdeu.
O som da cadeira a ser arrastada pelo azulejo se espalha por todos os cantos da casa. Se senta e volta arrastar a cadeira para a frente. Um momento que outrora era composto por milhares de gargalhadas agora é um infinito silencio. Interrompido apenas pelo cravar do grafo na panqueca até que faz contacto com o barro cozinho do prato pintado em tons de verde. De seguida o som da faca cortando o vento, até que corta a panqueca contra o prato. O movimento do grafo subindo lentamente até sua boca. Não é motivado por fome, apenas pelo puro reflexo de sobrevivência . Agora se juntando a melodia o mascar dos dentes envolto no pedaço de farinha. Assim que a sua boca fica vazia, o que segue sai do fundo das suas cordas vocais. São como palavras. Mas não formadas o suficiente para se chamarem de tal forma. O reflexo de outros tempo de alegria. Ia chamar-la, para se juntar ao pequeno almoço. Agora em vez de palavras de chamamento saindo de seus lábios. Saem lágrimas de seus olhos, discorrendo por seu rosto. Caminhando lentamente que ao momento que se suicidam com o solto, caindo em cima do prato onde encontram o final da sua viagem. Assim se seguem os próximos minutos. Num rio de lágrimas derramadas. Uma mistura de lágrimas de saudades de tempos que se passaram com lágrimas de sofrimento dos tempos que se passam. Assim se passam os sessenta minutos no relógio que bate a cada segundo em seu pulso.
O som da cadeira a ser arrastada pelo azulejo se espalha por todos os cantos da casa. Se senta e volta arrastar a cadeira para a frente. Um momento que outrora era composto por milhares de gargalhadas agora é um infinito silencio. Interrompido apenas pelo cravar do grafo na panqueca até que faz contacto com o barro cozinho do prato pintado em tons de verde. De seguida o som da faca cortando o vento, até que corta a panqueca contra o prato. O movimento do grafo subindo lentamente até sua boca. Não é motivado por fome, apenas pelo puro reflexo de sobrevivência . Agora se juntando a melodia o mascar dos dentes envolto no pedaço de farinha. Assim que a sua boca fica vazia, o que segue sai do fundo das suas cordas vocais. São como palavras. Mas não formadas o suficiente para se chamarem de tal forma. O reflexo de outros tempo de alegria. Ia chamar-la, para se juntar ao pequeno almoço. Agora em vez de palavras de chamamento saindo de seus lábios. Saem lágrimas de seus olhos, discorrendo por seu rosto. Caminhando lentamente que ao momento que se suicidam com o solto, caindo em cima do prato onde encontram o final da sua viagem. Assim se seguem os próximos minutos. Num rio de lágrimas derramadas. Uma mistura de lágrimas de saudades de tempos que se passaram com lágrimas de sofrimento dos tempos que se passam. Assim se passam os sessenta minutos no relógio que bate a cada segundo em seu pulso.
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