A luz solar se desfaz no vidro da janela do quarto. A madeira da mesma ainda se encontra quente devido as altas temperaturas sentidas durante o dia. Ao longe se pode ver o infinito deserto de areia, tão morto, ao mesmo tempo tão cheio de vida. Um eco-sistema único no planeta que abriga algumas das mais belas e espantosas criação do Universo. Sobre as dunas se pode ver a lua nascer. Lua cheia, noite de lobisomens como sua avo lhe contava quando era mais pequena sentada no seu colo. Historias de arrepiar os mais crescidos e de encantar os mais pequenos. Reunidas todas num grande livro que ainda guarda na sua mesa de cabeceira junto a caixa de musica que apenas abre quando vai dormir.
O som ecoa do outro lado da porta, algo natural a esta hora. É a sua mão subindo as escadas para ajudar a deitar. A voz da porta é quase que rouca, mal se ouve abrindo. Mas é o suficiente para assustar as aves coloridas. O som das suas asas é nulo dentro das quatro paredes do quarto, apenas os predadores lá fora o ouvem. Como um trompete que anuncia o inicio da caça. Esta na hora de saírem de suas tocas e esconderijos, esta na hora de mostrar a sua superioridade. Um presente maravilho que lhe foi oferecido pela Mãe de todos. Mas isso é lá fora. Aqui dentro do seu quarto, protegida por paredes de cimento e tijolos, madeira e vidros nada, nem ninguém lhe pode voltar a fazer mal.
O calor de sua mãe se aproxima lentamente por de trás de si. Pode sentir a sua chegada lentamente. Com medo de a assustar. Ela adorava lhe dizer que já nada a pode assustar. Que o mundo lhe mostrou todas as suas crueldades no dia em que lhe roubou os seus movimentos, a sua voz. No dia em que roubou todo menos a sua vontade de viver. Essa ninguém lha pode roubar. Ninguém pode roubar o que é de um. O toque distante de sua mãe se aproxima do ferro protegido por borracha que puxa suavemente para si. As rodas deslizam pelo chão facilmente. Como se não estive-se ninguém sentada em cima da cadeira. Esse é o segredo que ela guarda para si, que sua filha se tornou num fantasma. As vezes deseja que todo acabe. Odeia-se por esse sentimento, mas não o pode negar. Não o conta a ninguém. As outras pessoas não o iam perceber. Pois.Pois só ela sabe o que é aquela agonia que lhe consume lentamente a alma e o coração.
Puxa, Puxa até chegar ao centro do quarto onde se encontra a cama individual. Com quatro "mastros" se erguendo nos ângulos, até perto do céu do quarto. Cobertos por nuvens de véus brancos e rosa, como os das princesas. O som das rodas a embater contra a madeira da cama, fazendo ocorrer um pequeno terramoto entre os dois. Desculpa minha querida, diz sussurrando para si mesmo. Os braços longos e delicados de sua mãe agora se envolvem em volta do seu corpo como se fossem eras trepando um tronco de uma árvore. Sente a sua força em seus ossos, agarrando forte, tremendo com o medo de a deixar cair. O seu corpo começa levitando da cadeira lentamente. Pode-se ouvir a respiração de sua mãe, tão alta como o bater de seu coração, fazendo lembrar o som de uma expulsão. Até que seu corpo volta a se sentir pousado. Desta vez em finos lençóis de ceda azul. Tão delicados como sua pele. Dignos de réis e rainhas. Capazes de provocar orgasmo de prazer. Mas em seu corpo "morto" não sente a diferença do cabedal de sua cadeira para ceda de seus lençóis. Não o sentiu, até mesmo quando tinha vida correr em suas veias. Sua cabeça pousada sobre almofada, com seu cabelo descendo sobre ela como um rio ou montanha de ouro. Ai que se sente o vento vindo do edredão, voando em sua direção até pousar gentilmente sobre o seu corpo. Agora protegido de um frio que não sente, pronto para repousar mais um noite que brilha do outro lado da janela.
Esperando por um beijo que não chega do alto onde se encontra a cabeça de seu progenitora, apenas cai involuntariamente uma gota de agua em forma de lágrima. A segundo é captura pela mão da sua proprietária. Se volta, abrindo a caixa de musica. O quarto não demora se enchendo de um nova alegria. Uma alegria que ela não sente em seu coração.
Se ouve seus passos agora apresados em direcção da porta que se abre bruscamente para se voltar a fechar. De um lado se ouve alegria de uma melodia, do outro se ouve os choros de uma mãe em agonia.
O som ecoa do outro lado da porta, algo natural a esta hora. É a sua mão subindo as escadas para ajudar a deitar. A voz da porta é quase que rouca, mal se ouve abrindo. Mas é o suficiente para assustar as aves coloridas. O som das suas asas é nulo dentro das quatro paredes do quarto, apenas os predadores lá fora o ouvem. Como um trompete que anuncia o inicio da caça. Esta na hora de saírem de suas tocas e esconderijos, esta na hora de mostrar a sua superioridade. Um presente maravilho que lhe foi oferecido pela Mãe de todos. Mas isso é lá fora. Aqui dentro do seu quarto, protegida por paredes de cimento e tijolos, madeira e vidros nada, nem ninguém lhe pode voltar a fazer mal.
O calor de sua mãe se aproxima lentamente por de trás de si. Pode sentir a sua chegada lentamente. Com medo de a assustar. Ela adorava lhe dizer que já nada a pode assustar. Que o mundo lhe mostrou todas as suas crueldades no dia em que lhe roubou os seus movimentos, a sua voz. No dia em que roubou todo menos a sua vontade de viver. Essa ninguém lha pode roubar. Ninguém pode roubar o que é de um. O toque distante de sua mãe se aproxima do ferro protegido por borracha que puxa suavemente para si. As rodas deslizam pelo chão facilmente. Como se não estive-se ninguém sentada em cima da cadeira. Esse é o segredo que ela guarda para si, que sua filha se tornou num fantasma. As vezes deseja que todo acabe. Odeia-se por esse sentimento, mas não o pode negar. Não o conta a ninguém. As outras pessoas não o iam perceber. Pois.Pois só ela sabe o que é aquela agonia que lhe consume lentamente a alma e o coração.
Puxa, Puxa até chegar ao centro do quarto onde se encontra a cama individual. Com quatro "mastros" se erguendo nos ângulos, até perto do céu do quarto. Cobertos por nuvens de véus brancos e rosa, como os das princesas. O som das rodas a embater contra a madeira da cama, fazendo ocorrer um pequeno terramoto entre os dois. Desculpa minha querida, diz sussurrando para si mesmo. Os braços longos e delicados de sua mãe agora se envolvem em volta do seu corpo como se fossem eras trepando um tronco de uma árvore. Sente a sua força em seus ossos, agarrando forte, tremendo com o medo de a deixar cair. O seu corpo começa levitando da cadeira lentamente. Pode-se ouvir a respiração de sua mãe, tão alta como o bater de seu coração, fazendo lembrar o som de uma expulsão. Até que seu corpo volta a se sentir pousado. Desta vez em finos lençóis de ceda azul. Tão delicados como sua pele. Dignos de réis e rainhas. Capazes de provocar orgasmo de prazer. Mas em seu corpo "morto" não sente a diferença do cabedal de sua cadeira para ceda de seus lençóis. Não o sentiu, até mesmo quando tinha vida correr em suas veias. Sua cabeça pousada sobre almofada, com seu cabelo descendo sobre ela como um rio ou montanha de ouro. Ai que se sente o vento vindo do edredão, voando em sua direção até pousar gentilmente sobre o seu corpo. Agora protegido de um frio que não sente, pronto para repousar mais um noite que brilha do outro lado da janela.
Esperando por um beijo que não chega do alto onde se encontra a cabeça de seu progenitora, apenas cai involuntariamente uma gota de agua em forma de lágrima. A segundo é captura pela mão da sua proprietária. Se volta, abrindo a caixa de musica. O quarto não demora se enchendo de um nova alegria. Uma alegria que ela não sente em seu coração.
Se ouve seus passos agora apresados em direcção da porta que se abre bruscamente para se voltar a fechar. De um lado se ouve alegria de uma melodia, do outro se ouve os choros de uma mãe em agonia.
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