Os passos dos dois passam como ponteiros num
relógio. Atrás de si um rasto de flores de ar quente a voar. E lá no fundo uma
nova porta. Uma nova dimensão para explorar. Seguindo o Peixe-Esqueleto a
menina se dirige até a porta. Uma porta elegante feita de pétalas das mais
belas flores. A chave relembra um caule verde e a fechadura um girassol
amarelo.
- Anda, temos mais mundos para explorar. - Diz
o Peixe-Esqueleto.
A menina ainda usa a sua voz para responder.
Ainda não encontrou o seu tom prefeito, enquanto isso o seu companheiro fala
como um violino de cordas angelicais. Suas palavras são quase como melodias
classificas que capazes de encantar as mais terríveis criaturas. E conquistar
os mais nobres corações. Ela responde em seus pensamentos.
- Mas ainda agora aqui chegamos. Os vales
antedessem-se para alem da nossa visão. Temos que ir já?
A menina se encontra encantada com todo o que
a rodeia. Nunca imaginou ser possível existir tamanhos encantos, nem nas
historias de sua avo existia tanta magia. Quer permanecer ali o máximo
possível. Quer explorar os vales, quer voar junto das flores. Desejos que se
encontram todos em seus pensamentos. Pensamentos que o Peixe-Esqueleto consegue
ler e compreender melhor do que ninguém.
- Claro que podemos ficar mais um bocado minha
pequena. Mas lembra-te que aqui todo tem um preço. Se estiveres disposta a
pagar o preço todo é possível.
Como sempre a sua voz é um encanto para os
ouvidos da menina. Ela não precisa de perguntar o preço que tem a pagar. Ele
sabe que seja qual for ela o pagara. Ele sabe, pois ele já fez o mesmo. Se
abaixa para ficar no mesmo tamanho que ela. Enquanto desce se ouve o som dos
seus osso batendo uns contra os outros criando uma espécie de instrumentos
musical. Aquele sons por eles reproduzidos despertam sorrisos de alegria na
menina. Assim que ele se apercebe de tal coisa não hesita em usar suas
barbatanas contra seus ossos, os tocando como se fossem um se fossem um
xilofone. Uma melodia criada no momento. Algo que cria um laço entre os dois.
Algo que é genuíno e puro. Magico e ao mesmo tempo o nascimento de uma amizade
não pretendida por uma das partes. Por entre a camisa do Peixe-Esqueleto se
pode ver a sua metade do coração a bater mais rápido que um relâmpago. E dos
seus olhos algo sai como se fossem lágrimas. São lágrimas de areia que caiem de
seus olhos negros. Agora os dois a mesma altura. As duas faces uma a frente da
outra a menina tem uma visão completa do rosto do Peixe-Esqueleto que assim que
o vê a chorar, levanta lentamente sua mão fazendo meia dúzia de flores de ar
quente voar. A leva suavemente até ao rosto de ossos, acariciando-o pela
primeira vez. O calor da sua mão contra o frio esqueleto do peixe. Aquecendo o
seu rosto, limpando as suas lágrimas com a genuinidade que apenas as crianças
possuem. Ali mesmo entre os laços encarnados da amizade ele lhe diz o preço. Um
abraço. Um simples abraço é todo que ela tem que pagar para continuar entre os
vales e flores de ar quente. Sem hesitar ela abre os seus braços, encosta a sua
pele contra os seus ossos e os volta a fechar em redor do Peixe-Esqueleto. O
abraçando tão forte que se ouvem seus ossos se juntarem uns aos outros, como se
ele estive a perder volume. os dois rosto se cruzam e se encontram. Os movimentos
dos dois gera vento e sismo corporal o que faz a cartola do Peixe-Esqueleto
cair sobre as flores de ar quente. Assim que ele cai suavemente sobre as
frágeis flores elas começam a se elevar em direção aos céus. Os dois colhem o
máximo de flores possíveis para se juntarem na viagem atrás da carola. A menina
as consegue primeiro, o seu peso mais leve lhe da vantagem enquanto o
Peixe-Esqueleto com o desespero de perder os seus dois tesouros começa a encher
os bolsos. Não obtendo o resultado pretendido começa as meter por entre os seus
ossos. Não tarda muito em estar coberto de flores de todas as cores. Agora o
Peixe-Esqueleto mais belo e encantador do que nunca com todas as cores
imagináveis em seu corpo. Começa a se elevar no alto se juntando a corrida para
apagar a sua cartola.
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