domingo, 29 de março de 2015

Capitulo IX

Os passos dos dois passam como ponteiros num relógio. Atrás de si um rasto de flores de ar quente a voar. E lá no fundo uma nova porta. Uma nova dimensão para explorar. Seguindo o Peixe-Esqueleto a menina se dirige até a porta. Uma porta elegante feita de pétalas das mais belas flores. A chave relembra um caule verde e a fechadura um girassol amarelo.
- Anda, temos mais mundos para explorar. - Diz o Peixe-Esqueleto.
A menina ainda usa a sua voz para responder. Ainda não encontrou o seu tom prefeito, enquanto isso o seu companheiro fala como um violino de cordas angelicais. Suas palavras são quase como melodias classificas que capazes de encantar as mais terríveis criaturas. E conquistar os mais nobres corações. Ela responde em seus pensamentos.
- Mas ainda agora aqui chegamos. Os vales antedessem-se para alem da nossa visão. Temos que ir já?
A menina se encontra encantada com todo o que a rodeia. Nunca imaginou ser possível existir tamanhos encantos, nem nas historias de sua avo existia tanta magia. Quer permanecer ali o máximo possível. Quer explorar os vales, quer voar junto das flores. Desejos que se encontram todos em seus pensamentos. Pensamentos que o Peixe-Esqueleto consegue ler e compreender melhor do que ninguém.
- Claro que podemos ficar mais um bocado minha pequena. Mas lembra-te que aqui todo tem um preço. Se estiveres disposta a pagar o preço todo é possível.

Como sempre a sua voz é um encanto para os ouvidos da menina. Ela não precisa de perguntar o preço que tem a pagar. Ele sabe que seja qual for ela o pagara. Ele sabe, pois ele já fez o mesmo. Se abaixa para ficar no mesmo tamanho que ela. Enquanto desce se ouve o som dos seus osso batendo uns contra os outros criando uma espécie de instrumentos musical. Aquele sons por eles reproduzidos despertam sorrisos de alegria na menina. Assim que ele se apercebe de tal coisa não hesita em usar suas barbatanas contra seus ossos, os tocando como se fossem um se fossem um xilofone. Uma melodia criada no momento. Algo que cria um laço entre os dois. Algo que é genuíno e puro. Magico e ao mesmo tempo o nascimento de uma amizade não pretendida por uma das partes. Por entre a camisa do Peixe-Esqueleto se pode ver a sua metade do coração a bater mais rápido que um relâmpago. E dos seus olhos algo sai como se fossem lágrimas. São lágrimas de areia que caiem de seus olhos negros. Agora os dois a mesma altura. As duas faces uma a frente da outra a menina tem uma visão completa do rosto do Peixe-Esqueleto que assim que o vê a chorar, levanta lentamente sua mão fazendo meia dúzia de flores de ar quente voar. A leva suavemente até ao rosto de ossos, acariciando-o pela primeira vez. O calor da sua mão contra o frio esqueleto do peixe. Aquecendo o seu rosto, limpando as suas lágrimas com a genuinidade que apenas as crianças possuem. Ali mesmo entre os laços encarnados da amizade ele lhe diz o preço. Um abraço. Um simples abraço é todo que ela tem que pagar para continuar entre os vales e flores de ar quente. Sem hesitar ela abre os seus braços, encosta a sua pele contra os seus ossos e os volta a fechar em redor do Peixe-Esqueleto. O abraçando tão forte que se ouvem seus ossos se juntarem uns aos outros, como se ele estive a perder volume. os dois rosto se cruzam e se encontram. Os movimentos dos dois gera vento e sismo corporal o que faz a cartola do Peixe-Esqueleto cair sobre as flores de ar quente. Assim que ele cai suavemente sobre as frágeis flores elas começam a se elevar em direção aos céus. Os dois colhem o máximo de flores possíveis para se juntarem na viagem atrás da carola. A menina as consegue primeiro, o seu peso mais leve lhe da vantagem enquanto o Peixe-Esqueleto com o desespero de perder os seus dois tesouros começa a encher os bolsos. Não obtendo o resultado pretendido começa as meter por entre os seus ossos. Não tarda muito em estar coberto de flores de todas as cores. Agora o Peixe-Esqueleto mais belo e encantador do que nunca com todas as cores imagináveis em seu corpo. Começa a se elevar no alto se juntando a corrida para apagar a sua cartola.

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