Se levanta caminhando, arrastando os velhos
sapatos pelo chão. Como se seus pés fossem duas cobras a rastejar. Se dirige
até ao escuro da despensa. Sem hesitar leva a sua mão para dentro. Aos poucos
se perde de vista na escuridão que reina na dispensa. Um local frio e escuro
como as noites de inverno devem ser. Passado alguns segundos a mão volta para a
luz intacta. Carregando alguns legumes que outrora foram mais frescos. Volta a
se arrastar, agora em direção do balcão de mármore. Sente-se os legumes caírem
com descuido sobre a pedra. Como se estivem a ser condenados por um crime que
não cometeram. Mas o juiz não quer saber, apenas quer castigar alguém pelo
crime. Seus joelhos se dobram. Os ossos mostram sinais de cansaço. Gritam entre
si, mas ninguém consegue ouvir os seus gritos por ajuda. O embater dos dedos
contra madeira de um pequena porta que não tarda em se abrir. Mais uma vez a
mão se aventura em território desconhecido Como se fosse um pequeno herói das
historias que sua mãe lhe contava quando era pequena. Historias que mais tarde
contou a sua filha. Historia que agora não habitam mais seus pensamentos. O
pequeno herói voltar a sair intacto da sua missão. Desta vez com uma pequena
panela de ferro. Apesar do seu tamanho reduzido o seu peso é extenso. O que
leva ao auxilio da outra mão. Agora bem segura a levanta. Voando como um
super-herói. Como aqueles dos quadradinhos que lhe as tias distantes lhe
ofereceram num natal passado. Aquelas tias que todo mundo tem que nem sabiam
que sua filha existia. Quanto mais que era uma rapariga e não um rapaz. Aqueles
superes que são indescritíveis, que nada os consegue quebrar. Fábulas dos
tempos modernos. Se ouve o som de dois titans em choque. Ferro contra ferro.
Panela pousando no fogão. Um pouco de agua e os legumes se juntam lá dentro. Um
fosforo acende-se. Indo rapidamente em direção a boca do fogão com medo de
queimar seus dedos. O testo por cima aprisionando os legumes. Passado uns
minutos se consegue ouvir a sua angustia sendo cozidos na agua a ferver. Sem que
ninguém os consiga salvar. Não tarda muito para a cozinha se encher com o seu
típico cheiro quase comestível. Até que o fogo do fogão se extingue. O testo
sobe e o vapor aprisionado é libertado na atmosfera. Os legumes agora já
cozinhados, mas ainda em estado solido são retirados para outro recipiente onde
vão encontrar as laminas já pouco afiadas varinha. O que se segue relembra um
batalha onde as tropas são esmagadas pelo o inimigo. Até que o resultado é um
liquido de uma cor meio que verde.
Deixa a repousar. Aproveitando para sair pela
primeira vez de hoje pela porta principal da casa. Primeiro o pé esquerdo, de
seguida o pé direito ao encontro de um sol radiante. Mais um belo dia de Verão.
Um verão eterno que dura sem parar. Olha para o céu relembrando os dias antigos
a procura de nuvens. Uma esperança que nunca morre, assim como a que se
encontra no andar por cima dela. Caminhando em direção a um banco de jardim.
Deixando suas pegadas na areia. Quase como um fóssil do passado que anda a deixar
o seu rosto no mundo futuro. O banco em ferro enferrujado pelo tempo. Se senta
delicadamente nele. Como se fosse uma pessoa. Não o é. Mas é mais uma memoria
que nega em deixar partir. Uma memoria de quando todo florescia, todo sorria.
Uma memoria de tempos felizes. Poucos são os minutos ali passados. Saindo quase
que a correr em direção a cozinha. Agora com o liquido meio que verde na mão
volta a caminhar lentamente, desta vez em direção as escadas de madeira. Sem se
poder apoiar sobe lentamente, com cuidado para não cair. Afinal os seus ossos
gritam a cada passa que ela da. Degrau após degrau, subindo até alcançar o topo
das escadas. Agora a frente da porta parada sem saber se entrar ou não. Sabe
que tem que entrar, apenas se questiona se pode esperar mais um minuto ali
relembrando as suas memorias que as mantém vivas. O tempo passa a ser medido
pelos batimentos de seu coração, até que ganha coragem se entrar. Pousa
delicadamente o recipiente no chão e bate a porta. Se esqueceu que não precisa
mais de o fazer. Que ninguém lhe vai responder. Por momentos tinha voltado aos
dias de gloria. Abre a porta e lá esta ela deitada no mesmo local onde a deixou
a noite.Se levanta caminhando, arrastando os velhos
sapatos pelo chão. Como se seus pés fossem duas cobras a rastejar. Se dirige
até ao escuro da despensa. Sem hesitar leva a sua mão para dentro. Aos poucos
se perde de vista na escuridão que reina na dispensa. Um local frio e escuro
como as noites de inverno devem ser. Passado alguns segundos a mão volta para a
luz intacta. Carregando alguns legumes que outrora foram mais frescos. Volta a
se arrastar, agora em direção do balcão de mármore. Sente-se os legumes caírem
com descuido sobre a pedra. Como se estivem a ser condenados por um crime que
não cometeram. Mas o juiz não quer saber, apenas quer castigar alguém pelo
crime. Seus joelhos se dobram. Os ossos mostram sinais de cansaço. Gritam entre
si, mas ninguém consegue ouvir os seus gritos por ajuda. O embater dos dedos
contra madeira de um pequena porta que não tarda em se abrir. Mais uma vez a
mão se aventura em território desconhecido Como se fosse um pequeno herói das
historias que sua mãe lhe contava quando era pequena. Historias que mais tarde
contou a sua filha. Historia que agora não habitam mais seus pensamentos. O
pequeno herói voltar a sair intacto da sua missão. Desta vez com uma pequena
panela de ferro. Apesar do seu tamanho reduzido o seu peso é extenso. O que
leva ao auxilio da outra mão. Agora bem segura a levanta. Voando como um
super-herói. Como aqueles dos quadradinhos que lhe as tias distantes lhe
ofereceram num natal passado. Aquelas tias que todo mundo tem que nem sabiam
que sua filha existia. Quanto mais que era uma rapariga e não um rapaz. Aqueles
superes que são indescritíveis, que nada os consegue quebrar. Fábulas dos
tempos modernos. Se ouve o som de dois titans em choque. Ferro contra ferro.
Panela pousando no fogão. Um pouco de agua e os legumes se juntam lá dentro. Um
fosforo acende-se. Indo rapidamente em direção a boca do fogão com medo de
queimar seus dedos. O testo por cima aprisionando os legumes. Passado uns
minutos se consegue ouvir a sua angustia sendo cozidos na agua a ferver. Sem que
ninguém os consiga salvar. Não tarda muito para a cozinha se encher com o seu
típico cheiro quase comestível. Até que o fogo do fogão se extingue. O testo
sobe e o vapor aprisionado é libertado na atmosfera. Os legumes agora já
cozinhados, mas ainda em estado solido são retirados para outro recipiente onde
vão encontrar as laminas já pouco afiadas varinha. O que se segue relembra um
batalha onde as tropas são esmagadas pelo o inimigo. Até que o resultado é um
liquido de uma cor meio que verde.
Deixa a repousar. Aproveitando para sair pela
primeira vez de hoje pela porta principal da casa. Primeiro o pé esquerdo, de
seguida o pé direito ao encontro de um sol radiante. Mais um belo dia de Verão.
Um verão eterno que dura sem parar. Olha para o céu relembrando os dias antigos
a procura de nuvens. Uma esperança que nunca morre, assim como a que se
encontra no andar por cima dela. Caminhando em direção a um banco de jardim.
Deixando suas pegadas na areia. Quase como um fóssil do passado que anda a deixar
o seu rosto no mundo futuro. O banco em ferro enferrujado pelo tempo. Se senta
delicadamente nele. Como se fosse uma pessoa. Não o é. Mas é mais uma memoria
que nega em deixar partir. Uma memoria de quando todo florescia, todo sorria.
Uma memoria de tempos felizes. Poucos são os minutos ali passados. Saindo quase
que a correr em direção a cozinha. Agora com o liquido meio que verde na mão
volta a caminhar lentamente, desta vez em direção as escadas de madeira. Sem se
poder apoiar sobe lentamente, com cuidado para não cair. Afinal os seus ossos
gritam a cada passa que ela da. Degrau após degrau, subindo até alcançar o topo
das escadas. Agora a frente da porta parada sem saber se entrar ou não. Sabe
que tem que entrar, apenas se questiona se pode esperar mais um minuto ali
relembrando as suas memorias que as mantém vivas. O tempo passa a ser medido
pelos batimentos de seu coração, até que ganha coragem se entrar. Pousa
delicadamente o recipiente no chão e bate a porta. Se esqueceu que não precisa
mais de o fazer. Que ninguém lhe vai responder. Por momentos tinha voltado aos
dias de gloria. Abre a porta e lá esta ela deitada no mesmo local onde a deixou
a noite.
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