terça-feira, 31 de março de 2015

Capitulo XI

São lágrimas do outro lado. lágrimas de solidão tão fortes que passam barreiras entre mundos. São lágrimas que nos arrancam de volta para o quarto exposto a luz solar que se faz sentir no meio da manha. A sombra portadora das lágrimas com suas vestes negras se desloca em direção a janela. Os vidros aquecidos pelo calor do outro lado vibram com o suave vento e madeira grita assim que ela lhe põem as mãos. Seus dedos entrelaçados na peça de metálica que serve para abrir a janela. O ouro do seu anel que conta historias de um passado longínquo que ela prefere esquecer. Sem nunca o poder fazer. Desde as fundação da casa que se escondem metros abaixo da terra, passando pelos tijolos mascarados com cimento até as vigas de madeira que seguram as velhas telhas. São todos um constante relembre do passado. Sendo o maior deles a sua filha fantasma que se encontra ali com ela no quarto. Um relembre de uma historia de amor clássica cheia de emoção e alegria que termina numa tragédia global. É então que seus pés dão um passo atrás, seu braço se estica e seus dedos agarrando forte puxam o metal. Uma reacção em cadeia que acaba por puxar lentamente a madeira da janela que beija arduamente a madeira onde se encontra pousada. Um pouco mais de força e se a troca de afectos entre as duas termina. A janela finalmente se encontra aberta deixando entrar todo o esplendor que um deserto tem para oferecer. Para evitar que um grande numero de areias invadam o quarto, puxa uma cortina laranja. O som dela a correr pelo ferro que a aprisionam são capazes de penetrar a mais das profundas almas. Agora com auxilio do calor da estrela mãe abandona o quarto em direção ao corredor. Um pequeno corredor com chão de madeira empoeirado. Os seus passos ficam marcados no chão. Um se fossem um trilho de migalhas para que ela não se perde-se. Cerca de dez ou quinze passos depois chega ao seu destino fechado por mais uma porta de madeira envelhecida. Esta sem fechadura, dança a vontade do vento que se pode sentir pelo corredor. É uma dança triste e solitária, que apenas consiste em dois passos repetidos infinitas vezes até que alguém lhe alguém lhe ponha um fim temporário. Esse final temporário chega na forma de um dos seus pés que se encosta a ela. Agora temporariamente parada é empurrada para trás como indefesa, sem meios para se proteger. O choque inevitável contra a parede de cimento não demora a surgir. O embate faz com que ela grita alto. Um grito que eco-a por entre todos os cantos da casa. Os vizinhos provavelmente o ouvirão se no momento os houvesse como os houve quando ainda viviam no barreiro antigo. O som rapidamente se perde na atmosfera. Agora com um pé atrás do outro ela entra lentamente pisando o azulejo azul da casa de banho. Alguns deles estão partidos deixando o cimento exposto, outros estão rachados. São poucos os que não tem historias para contar, se um dia conseguirem falar.  

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