São lágrimas do outro lado. lágrimas de
solidão tão fortes que passam barreiras entre mundos. São lágrimas que nos
arrancam de volta para o quarto exposto a luz solar que se faz sentir no meio
da manha. A sombra portadora das lágrimas com suas vestes negras se desloca em
direção a janela. Os vidros aquecidos pelo calor do outro lado vibram com o
suave vento e madeira grita assim que ela lhe põem as mãos. Seus dedos
entrelaçados na peça de metálica que serve para abrir a janela. O ouro do seu
anel que conta historias de um passado longínquo que ela prefere esquecer. Sem
nunca o poder fazer. Desde as fundação da casa que se escondem metros abaixo da
terra, passando pelos tijolos mascarados com cimento até as vigas de madeira
que seguram as velhas telhas. São todos um constante relembre do passado. Sendo
o maior deles a sua filha fantasma que se encontra ali com ela no quarto. Um
relembre de uma historia de amor clássica cheia de emoção e alegria que termina
numa tragédia global. É então que seus pés dão um passo atrás, seu braço se
estica e seus dedos agarrando forte puxam o metal. Uma reacção em cadeia que
acaba por puxar lentamente a madeira da janela que beija arduamente a madeira
onde se encontra pousada. Um pouco mais de força e se a troca de afectos entre as
duas termina. A janela finalmente se encontra aberta deixando entrar todo o
esplendor que um deserto tem para oferecer. Para evitar que um grande numero de
areias invadam o quarto, puxa uma cortina laranja. O som dela a correr pelo
ferro que a aprisionam são capazes de penetrar a mais das profundas almas.
Agora com auxilio do calor da estrela mãe abandona o quarto em direção ao
corredor. Um pequeno corredor com chão de madeira empoeirado. Os seus passos
ficam marcados no chão. Um se fossem um trilho de migalhas para que ela não se
perde-se. Cerca de dez ou quinze passos depois chega ao seu destino fechado por
mais uma porta de madeira envelhecida. Esta sem fechadura, dança a vontade do
vento que se pode sentir pelo corredor. É uma dança triste e solitária, que
apenas consiste em dois passos repetidos infinitas vezes até que alguém lhe
alguém lhe ponha um fim temporário. Esse final temporário chega na forma de um
dos seus pés que se encosta a ela. Agora temporariamente parada é empurrada
para trás como indefesa, sem meios para se proteger. O choque inevitável contra
a parede de cimento não demora a surgir. O embate faz com que ela grita alto.
Um grito que eco-a por entre todos os cantos da casa. Os vizinhos provavelmente
o ouvirão se no momento os houvesse como os houve quando ainda viviam no
barreiro antigo. O som rapidamente se perde na atmosfera. Agora com um pé atrás
do outro ela entra lentamente pisando o azulejo azul da casa de banho. Alguns
deles estão partidos deixando o cimento exposto, outros estão rachados. São
poucos os que não tem historias para contar, se um dia conseguirem falar.
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